Fábio Konder Comparato, jurista e professor emérito da Faculdade de Direito da USP"A corrupção dos agentes públicos é um mal endêmico no Brasil e existe desde o início da colonização, abrangendo indistintamente todos os órgãos do Estado. Charles Darwin, quando passou pelo nosso país, observou: "Não importa o tamanho das acusações que possam existir contra um homem de posses, é seguro que em pouco tempo ele estará livre. Todos aqui podem ser subornados."
Trata-se, na verdade, de uma prática entranhada na mentalidade coletiva e que permeia os costumes ou modos de comportamento de todas as classes sociais. Sou, no entanto, bastante idoso para perceber que a situação começa a mudar. Hoje, ao contrário do que parece, a corrupção não aumentou em relação ao passado. O que aumentou é o número de pessoas que manifestam indiferença ou complacência para com ela.
Entendo que a atual presidente da República tem seguido, com coragem e determinação, no rumo certo: a intransigência com qualquer prática de corrupção no Poder Executivo, mesmo quando contamina ministros de Estado.
Não basta, porém, apoiar a presidente, como os meios de comunicação de massa, acertadamente, vem fazendo. Como a mentalidade coletiva não muda rapidamente, é indispensável montar uma política pública de longo prazo para combater a corrupção, comportando instituições adequadas e uma ampla campanha de educação cívica.
Dentre as instituições adequadas para lutar contra a corrupção, entendo que devemos criar instrumentos novos de atuação popular, como ouvidorias do povo, em todas as unidades da federação, e a instituição de ações populares, ou seja, ações judiciais propostas por qualquer cidadão em nome do povo".
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Zeca Borges, superintendente do Disque-Denúncia
As mídias sociais são válidas nessa luta. O disque-denúncia tem mais de 55 mil seguidores no Twitter, através do qual informamos aos cidadãos sobre locais de risco de assaltos, mapas de cracolândia... e os seguidores, por sua vez, interagem, enviando fotos, vídeos, informações, denunciando. Eu apoio a atuação da Dilma, ela está no caminho certo de não tolerar essas ações corruptas. A presidente está atraindo uma confiança muito grande, que acaba dando mais desenvoltura para outros agentes sociais nessa luta".
Tia Surica, integrante da Velha Guarda da Portela"Eu apoio essa faxina que a Dilma está fazendo, que está mais do que certa. O país não aguenta mais tanta corrupção. A tendência dessa mobilização da sociedade é dar certo porque estamos todos cansados de tanta corrupção. Se todos entrarem de cabeça nessas manifestações que estão sendo organizadas, os efeitos vão surgir".
Renato Sorriso, gari passista"Toda corrupção que acontece no Brasil e no mundo é por falta de educação familiar. Os corruptos são pessoas ambiciosas, que só pensam nelas mesmas, não pensam em dividir, só querem tirar proveito. Quem tem isso dentro de si não consegue enxergar um horizonte de honestidade. Vejo o movimento das pessoas que agora se unem para combater a corrupção como uma ação muito positiva. A população tem, sim, que ir para as ruas contra as pessoas desonestas e contra a política suja. Tem que lutar para garantir seus direitos sociais: educação, saúde, emprego. A Dilma está certíssima em fazer essa faxina, só que ela já era pra ter sido feita há muito tempo, antes de isso tudo acontecer. A limpeza tem que ser feita. É como dentro de casa. Se não limpar, a sujeira acumula".
Marcelo Adnet, apresentador e humorista"A corrupção é o que o Brasil tem de pior. É um crime, mais do que um roubo, é um desfalque. Você, cidadão, parte do princípio que está sendo roubado. Você paga imposto, trabalha e vê que está sendo enganado. A corrupção é uma falha entre o Estado e o cidadão. A gente aprende desde cedo que o 'jeitinho' é a saída pra tudo. Desde pequenos, nos ensinam que o Estado é o nosso inimigo, que nos rouba. E acham que a forma de lutar contra isso é apenas burlando. Eu sou 100% favorável a essa faxina no governo. E isso de termos uma mulher no comando é muito legal porque a mulher é menos tolerante com esse conceito do 'jeitinho'. A Dilma é uma mulher forte, séria, independente, a gente está vendo que ela não é a sombra do Lula. Ela priorizou a faxina em vez da manutenção da base. Mas, claro, ela não governa sozinha.
O Brasil está avançando, as coisas estão melhorando, mas não podemos esquecer que quem é muito pobre, continua muito pobre. O país não é só a classe média. Não acho que a juventude esteja mais mobilizada. Ela está mais virtualizada. Por estarmos muito nesse mundo virtual, vemos nele um meio de levantar movimentos. Isso é muito positivo, mas a internet foi quem mudou muita coisa, falta a gente mudar. Então, essa mobilização é muito boa, mas ainda é muito pouco. O brasileiro ainda é muito passivo, debate pouco, não tem o hábito de criticar, questionar".
Rodrigo Baggio, presidente e fundador do Comitê para Democratização da Informática"Dou força e apoio total à presidente Dilma, para que ela amplie essa faxina. Cada brasileiro tem que se manifestar. A gente tem que dar um basta através desses atos que estão sendo organizados e utilizar as mídias sociais para mobilizar o Brasil. O sonho do brasileiro é acabar com a corrupção. Mas a ética tem que partir de cada um. Tem uma frase do Gandhi que diz 'seja você a transformação que você quer ver no mundo'. A educação pelo exemplo é o que vai mudar o país. É o avô dando exemplo para o neto, o pai dando exemplo para o filho. E todos precisam usar as mídias, ir aos eventos, criar e reproduzir no Brasil, de forma organizada e sem violência, o fenômeno de mobilização em rede que aconteceu em outros países, como Chile, Espanha... Eu estarei no ato na Cinelândia, em setembro, e em outros que forem criados".
Cláudio Assis, cineasta
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Marly da Silva Motta, historiadora e pesquisadora do CPDoc da FGV"Movimento de combate à corrupção não é inédito no Brasil. No segundo governo Vargas existiu uma frente contra o roubo e a corrupção. Mas o debate político, nessa época, tinha um componente ideológico forte, diferente de hoje. Essa questão cresce porque tem apelo popular. E a sociedade tem que apoiar a "faxina", mas o Brasil não tem tradição de ir às ruas pedir punição para corruptores. Claro que pode ser a primeira vez.
Agora, o que tem diferente hoje é que antes esses movimentos ocorriam durante graves crises políticas (por ex, no governo Vargas, com JK e até na época do Collor) e agora não são para derrubar a Dilma. Então, os movimentos podem estabelecer novos padrões. A corrupção não está sendo vista como arma para derrubar presidente. Agora, instituições como AGU e CGU podem se mobilizar e aí a corrupção será tratada no lugar certo. Esse combate deve passar pelas instituições que o Estado possui. Mas espero que tudo não seja só panaceia, e sim um processo duradouro.
Sobre a Dilma, ninguém duvida que ela possa tomar a iniciativa (pra continuar com o movimento), o eleitorado já esperava uma atitude mais durona. Ela faz acreditar que o processo pode avançar."
Roberto DaMatta, antropólogo
Todos Contra a Corrupção
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