ELEIÇÃO: Cadu de Lula promete retomar pagamento antecipado do 13º salário e recuperar capacidade de investimento do RN
Foto: Magnus Nascimento/TNO candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu de Lula (PT) afirmou, nesta quarta-feira (14), que pretende retomar o pagamento antecipado de parte do 13º salário dos servidores estaduais a partir de 2028, caso seja eleito. Durante sabatina no Jornal da Manhã, da Jovem Pan News Natal (93,5 FM), ele também defendeu o controle do crescimento das despesas públicas como caminho para recuperar a capacidade de investimento do Estado e apresentou propostas para infraestrutura e desenvolvimento econômico.
Cadu foi o primeiro candidato a participar da nova rodada de sabatinas promovida pelo Sistema Tribuna para o segundo turno das eleições de 2026. O petista recebeu 36,16% dos votos no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, e disputa o Governo do Estado com Allyson Bezerra (União Brasil), que obteve 36,94%. O resultado final do primeiro turno mostra uma diferença de 0,78 ponto percentual, sendo 15.509 votos.
Um dos compromissos apresentados pelo candidato foi a retomada do modelo de pagamento do 13º salário com uma parcela no primeiro semestre e a complementação em dezembro. Segundo ele, a proposta é antecipar 40% do benefício até 30 de junho e quitar o restante até o último dia do ano.
Cadu de Lula promete retomar pagamento antecipado do 13º salário e recuperar capacidade de investimento do RN
"Eu quero retomar o que era, pagar 40% até 30 de junho, e voltar e complementar até 31 de dezembro, esse é o nosso objetivo, a gente quer chegar nisso, se Deus quiser, já a partir de 2028", afirmou.
Cadu também disse que pretende manter a prioridade do pagamento dos servidores. A expectativa apresentada é que, com a reorganização das contas. "A gente vai honrar os pagamentos de fornecedores com 60 dias no máximo, como é o tempo da burocracia", defende.
Situação fiscal e diferenças em relação ao governo Fátima
Ex-secretário estadual da Fazenda por sete anos, Cadu foi questionado sobre a situação fiscal do Rio Grande do Norte e a continuidade da atual gestão, comandada pela governadora Fátima Bezerra (PT).
O candidato defendeu as medidas adotadas durante sua participação no governo, incluindo o aumento do ICMS, e argumentou que a recomposição da arrecadação foi necessária diante das perdas provocadas por mudanças na legislação federal sobre a tributação de combustíveis e outros produtos.
Segundo ele, a recuperação da capacidade de investimento dependerá de um crescimento das receitas superior ao das despesas, sem necessidade de novos aumentos de impostos.
"A gente precisa arrecadar mais do que gasta. A curva de crescimento da arrecadação precisa ser maior do que a curva de crescimento da despesa. Os servidores públicos sabem que seguirão sendo valorizados, mas dentro de uma sustentabilidade do que essa despesa cresça num ritmo menor do que o crescimento da arrecadação", declarou.
Cadu reafirmou que a recuperação financeira não ocorrerá imediatamente. Conforme havia indicado na sabatina do primeiro turno, o processo poderá levar entre um ano e meio e dois anos de gestão.
Questionado sobre o que faria de diferente em relação à governadora Fátima Bezerra, o candidato afirmou que pretende dar maior prioridade à competitividade econômica, à infraestrutura e à ampliação de investimentos privados. Também defendeu uma política de valorização dos servidores vinculada à capacidade financeira do Estado.
"A gente vai terminar o nosso mandato em 2030 numa situação dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal", defendeu. Na educação, reiterou o objetivo de colocar o Rio Grande do Norte entre os 10 estados com melhores resultados no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Cadu de Lula em sabatina na Jovem Pan News Natal | Foto: Magnus NascimentoFormação do governo e alianças políticas
Durante a entrevista, Cadu também foi questionado sobre a composição de um eventual secretariado e a possibilidade de manter integrantes da atual gestão estadual. O candidato evitou antecipar nomes, mas afirmou que pretende adotar critérios técnicos na escolha dos auxiliares. "Eu não vou abrir mão de um perfil técnico e honesto. Honestidade para mim é base de tudo", afirmou.
Sobre a governabilidade, o petista disse que já mantém conversas com parlamentares eleitos e representantes de outras forças políticas, inclusive da oposição, para construir uma maioria na Assembleia Legislativa.
Para Cadu, a formação de uma base mais ampla será necessária para aprovar projetos de interesse do governo. "Eu converso com todo. Eu aprendi a arte do diálogo. Eu respeito demais quem pensa diferente de mim. A gente vive na democracia. Não tenho problema nenhum contra isso", declarou.
Segundo ele, as conversas atuais estão voltadas principalmente à construção de alianças para o segundo turno e à discussão de propostas para o Estado.
Infraestrutura e relação com o Governo Federal
Na área de infraestrutura, Cadu voltou a defender investimentos em rodovias, logística e projetos relacionados às energias renováveis, à mineração, ao turismo e à fruticultura. Entre as obras mencionadas estão uma nova estrada de acesso a Pipa, melhorias viárias no litoral e a construção de uma terceira ponte entre as zonas Norte e Sul de Natal.
O candidato afirmou que a parceria com o Governo Federal será importante para viabilizar investimentos de maior porte, como a duplicação da BR-304 e a continuidade das obras do Hospital Metropolitano.
Questionado sobre como governaria diante de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial, Cadu disse acreditar na reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas afirmou que manteria o diálogo institucional caso o resultado fosse diferente.
"Eu tenho certeza que vai ser o presidente Lula, que a gente vai governar junto com ele para realizar todos esses sonhos, mas se for o outro candidato [Flávio Bolsonaro] que ganhar, a gente vai estar lá defendendo os interesses do povo, do nosso Estado", afirmou.
Cadu também voltou a defender a atualização da legislação de licenciamento ambiental para dar maior agilidade à implantação de empreendimentos, mantendo as exigências de proteção ambiental. "A gente vai dar ao nosso Estado mais competitividade ainda do ponto de vista de incentivos fiscais. A gente vai trabalhar todos os dias para gerar emprego e renda para o nosso povo", defendeu.
Estratégia para o segundo turno
Ao comentar o resultado do primeiro turno e a disputa pelos votos dos eleitores que apoiaram outros candidatos, Cadu afirmou que pretende intensificar o contato direto com a população e ampliar as articulações políticas.
O candidato destacou que venceu em 74 municípios potiguares e reconheceu a necessidade de ampliar o apoio eleitoral na Grande Natal, onde Álvaro Dias (PL), eliminado no primeiro turno, obteve votação expressiva.
Para a reta final da campanha, o petista disse que continuará percorrendo municípios e mobilizando lideranças para alcançar eleitores que ainda não decidiram o voto. "A gente vai casa a casa. A gente vai trabalhar cada vez mais pra que as nossas lideranças nos levem onde a gente não vai conseguir chegar", afirmou.










Foto: Ricardo Stuckert

