Canguaretama: ABCC quer barrar camarão argentino


A Argentina vai exportar camarão selvagem para o Brasil a partir de 1º de julho. A informação foi repassada por autoridades argentinas à agência pública de notícias do país, a Telam, e divulgadas pela Agência Brasil. As negociações, segundo a reportagem, começaram há três anos, mas os governantes da Argentina e do Brasil só bateram o martelo do acordo ontem. A liberação, anunciada no segundo dia do maior evento de Aquicultura da América Latina (a Feira Nacional de Camarão, Fenacam), que ocorre em Natal, desagradou o setor. A Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC)  informou que tentará barrar a entrada de camarão argentino no país. O presidente da associação, Itamar Rocha, disse que pretende entrar com uma ação na Justiça para suspender os efeitos do acordo. Essa não é a primeira vez que a ABCC se posiciona contra a entrada de camarão estrangeiro.

Camarão selvagem da Argentina: Para a ABCC, o produto precisa ser analisado antes de entrar no país para evitar o risco de doençasCamarão selvagem da Argentina: Para a ABCC, o produto precisa ser analisado antes de entrar no país para evitar o risco de doenças

Itamar Rocha afirma que para entrar no país, o camarão precisa passar antes por uma Análise de Risco de Importação (ARI), que identifica os riscos da operação do ponto de vista sanitário. A inspeção é prevista pela instrução normativa nº 14, de 2010. A análise, que leva em consideração avaliação, gestão e comunicação do risco à comunidade, autoridades sanitárias e pesquisadores, é realizada ou quando um país decide exportar determinado pescado ou animal aquático para o Brasil ou quando o procedimento de gestão do risco precisa ser revisto. A análise, segundo Itamar, pode durar "10, 15 ou até 20 anos", o que inviabilizaria a data fixada pelos governos da Argentina e do Brasil para o início das operações comerciais.

Rocha não explicou se o camarão argentino passou ou não por algum tipo de análise. Disse ainda que o camarão também não poderia ser analisado por qualquer técnico. "Precisaria ser analisado por uma comissão de especialistas nacionais e estrangeiros nomeados pelo Ministério da Pesca e Aquicultura", esclarece o presidente da ABCC. "Importar camarão estrangeiro sem analisar rigorosamente os riscos seria uma irresponsabilidade", afirma Itamar Rocha. "Importaríamos dezenas de doenças. Como o Brasil pode aceitar isso? Quem fizer isso é um irresponsável", disse. O país, segundo o presidente da ABCC, não importa camarão desde 1999. "Não há necessidade. Temos camarão estocado".

"O camarão selvagem, que é próprio da Argentina, é diferente da forma como é cultivado o camarão em outros locais, inclusive o vannamei brasileiro. A abertura desse mercado dará acesso a um nicho de consumo de excelência ou de alta qualidade", disse o subsecretário de Pesca da Argentina, Michael Bustamante, em reportagem da Agência Brasil.

Até o fechamento da edição, o Ministério da Pesca e Aquicultura do Brasil não havia sido informado da liberação das vendas da Argentina. O acordo teria sido articulado entre os ministérios da Agricultura, Desenvolvimento, Indústria e de Relações Exteriores dos dois países - sem a participação do Ministério da Pesca e Aquicultura.

O ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella, que abriu ontem o segundo dia de atividades da Fenacam, inspecionou obras e visitou indústrias, laboratórios e fazendas de camarão, deixou o Rio Grande do Norte sem tomar ciência do acordo. Ele havia se posicionado contra a importação desenfreada de pescado um dia antes do anúncio da liberação.

Ministro projeta crescimento de 24,04% para a pesca, até 2014

Durante palestra na abertura da Fenacam, ontem, o ministro da Pesca, Marcelo Crivella, estimou um crescimento de 24,04% na produção de pescado brasileiro, incluindo camarão, até 2014. Marca que, segundo ele, poderia ser superada se o país usasse as ferramentas certas. O Brasil possui aproximadamente 8,5 milhões de hectares de lâmina d'água em reservatórios de usinas hidrelétricas e 8,5 mil quilômetros de costa marítima que poderiam ser utilizados para produzir pescado, mas contribui com menos de 1% da produção mundial, segundo o ministro.

Crivella cumpriu uma agenda apertada no seu último dia no Rio Grande do Norte - ele estava no estyado desde segunda-feira. Depois de abrir o 9º Simpósio Internacional de Carcinicultura, na Fenacam, ele seguiu direto para o Terminal Pesqueiro Público de Natal, inacabado.

O Terminal já recebeu a visita de três ministros da Pesca e Aquicultura diferentes desde que as obras foram paralisadas: Ideli Salvatti, Luiz Sérgio e Marcelo Crivella, que inspecionou a execução das obras na manhã de ontem. O secretário de Agricultura e Pesca do Rio Grande do Norte, Betinho Rosado, estima que o governo conseguirá concluí-lo ainda este ano. O terminal - que levará um pouco mais de 90 dias para ser entregue, segundo o secretário - ficará pronto antes do viaduto que escoará a produção. O projeto do viaduto, que ainda não foi licitado, precisa ser melhor discutido, afirma. "A ideia de construir o viaduto não foi abandonada. "É um projeto de médio prazo", disse.

 No momento, discute-se o impacto da nova obra no local. Enquanto o viaduto não sair do papel, o pescado será escoado pela Rua Chile, como já é feito. O secretário disse ter entrado em acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Para Betinho, o tráfego de caminhões carregados de pescado não ocasionará grandes problemas. "O terminal não vai aumentar o fluxo de caminhões num primeiro momento", justifica.

A visita ao terminal pesqueiro não foi o único compromisso do ministro no RN. Ele ainda visitou a Produmar, empresa que compra, beneficia e exporta pescado, na Ribeira; a Aquatec, primeiro laboratório de comercialização de pós-larvas de camarão marinho do Brasil, e a fazenda de camarão Cana Brava, da Camanor, empresa que já foi a maior exportadora de camarão do país, localizada em Barra do Cunhaú, no município de Canguaretama.

 Tanto a Aquatec quanto a Camanor tem investido pesado em tecnologia. A Camanor, no momento, cultiva bijupirá (peixe de água salgada que pode pesar até 7 kg) em tanques fechados. O objetivo é cultivá-los em gaiolas no alto mar. A pesquisa, entretanto, ainda não entrou na fase final. Já a Aquatec investiu R$ 10 milhões no programa de melhoramento genético de suas pós-larvas (espécie de bebê camarão).


Para Crivella, que assumiu o Ministério da Pesca e Aquicultura há pouco tempo, investir em pesquisa é uma das formas de aumentar a produção e reduzir as importações.

Fenacam

"Desafios e perspectivas para a aquuicultura brasileira" é o tema da Fenacam 2012, realizada no Centro de Convenções de Natal. O evento pretende evidenciar as oportunidades do mercado, os avanços tecnológicos e o desenvolvimento do setor aquícola brasileiro.  Além da 9ª Feira Internacional de Serviços e Produtos para Aquicultura, a edição deste ano conta com apresentações de Trabalhos Técnicos, o  Simpósio Internacional de Aquicultura, o  Simpósio Internacional de Carcinicultura e o Festival Gastronômico de Frutos do Mar, este último aberto ao público com pratos da culinária regional. A programação pode ser conferida no seguinte endereço: http://www.fenacam.com.br/index

#Fonte: Tribuna do Norte

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