"É preciso liderar com compaixão"

CNTNV: ""É preciso liderar com compaixão" - Infelizmente não é isto que vemos nos gestores de nossa amada Canguaretama. A compaixão fica em ultimo plano, e em primeiro plano fica os interesses particulares em detrimento da necessidade do povo. A compaixão é um Dom de Deus e só sabe quem conhece e vive a necessidade de um povo. A democracia, nos dá mais uma chance de mudar o rumo da história da nossa cidade, colocando um prefeito que tenha um verdadeiro amor e compaixão por este amado povo.

Um avião da força aérea uruguaia bateu na  Cordilheira dos Andes - localizada na fronteira entre a Argentina e o Chile - e caiu, partido ao meio, em outubro de 1972. Dos 45 passageiros a bordo, 29 morreram no acidente ou no decorrer dos 72 dias que ficaram à espera de resgate. Os 16 que resistiram, enfrentaram o terror de uma avalanche, fome, frio e mais de dois meses de expectativa. A experiência foi "inacreditável", lembra um dos sobreviventes, Nando Parrado, hoje aos 61 anos. "Eu acordei lentamente e estava no inferno", complementa, em documentário inspirado na tragédia. Não há exagero. À época jogador de rugby, Nando e o time fretaram o voo 571 da força aérea para um jogo em Santiago, no Chile.  A mãe e a irmã mais nova, Susy, acompanhavam o grupo. Mas não chegaram ao destino.
DivulgaçãoEmpresário e sobrevivente de um acidente aéreo na Cordilheira dos Andes palestra em Natal.Empresário e sobrevivente de um acidente aéreo na Cordilheira dos Andes palestra em Natal.

Um dia após embarcarem, o avião caiu. "Nada nos fez acreditar que algo terrível aconteceria. Não sou supersticioso, mas era sexta-feira 13 e batemos naquele dia", lembra Nando, no documentário "Estou vivo: Milagre nos Andes". O acidente o deixou em coma profundo. Três dias após a queda do avião, ele acordou em meio à neve e a dezenas de cadáveres. Sem apresentar sinais de vida, o rapaz, com 20 anos de idade, havia sido levado junto a outros corpos para fora do que restou da aeronave. Mas, para a surpresa de todos, acordou e se tornou peça-chave para a salvação do grupo. "Não queria morrer. E decidi que se fosse morrer, morreria tentando (voltar para casa)", diz ele, nesta entrevista à TN.

A luta não foi fácil. Setenta e dois dias se passaram entre o acidente e o resgate do grupo - àquela altura reduzido a 16 pessoas. Já debilitados, os sobreviventes  chegaram a se manter por alguns dias a base de chocolates e gelo derretido. Precisaram, no entanto, se alimentar de carne humana, dos que haviam morrido, para resistir. O ato, à época, foi chamado de canibalismo pela mídia. "Mas não havia opção", observa Nando.  Escolhido líder do grupo, ele comandou durante 10 dias uma expedição em busca de socorro. Percorreu 65 quilômetros - o equivalente a distância entre Natal e o município de CANGUARETAMA - movido pela esperança de rever o pai.

Aos 20 anos, quando entrou naquele avião rumo ao Chile, qual era o seu maior sonho?
Ter uma noiva como Gisele Bündchen, que nem existia na época, mas uma garota como ela. Aos 20 anos, como qualquer jovem nessa idade, eu não sonhava com liderança, nem com empresas, nem com projetos.


Quando avião caiu o senhor foi dado como morto. O que pensou ao recobrar a consciência?
Não acreditava que aquilo estivesse acontecendo. Meu primeiro pensamento foi para minha mãe e minha irmã, que estavam comigo no avião.

Qual foi o momento mais difícil naqueles 72 dias?
Cada minuto, cada segundo, pois não havia possibilidade de sobreviver sem comida, sem água, sem resgate. As possibilidades eram inexistentes. Mas talvez alguns dos piores momentos tenham sido sentir a morte da minha irmã nos meus braços, escutar no rádio que a busca estava encerrada (no 10º dia) e chegar lá em cima da montanha (quando buscava socorro e esperava encontrar "vales verdes", sem neve) e ver que estávamos no meio dos Andes.

No documentário e em carta publicada no seu site, o senhor ressalta que a família, o desejo de rever seu pai, o fez sobreviver. Mas durante aquela jornada houve muitos momentos que poderiam tê-lo desencorajado. Por que continuou? De onde tirou forças?

Não queria morrer. Se ia morrer, ia fazê-lo lutando contra as montanhas. Talvez o desejo de ver meu pai e de dizer a ele que eu não havia morrido, tenha me dado um pouco mais de possibilidades. O instinto de sobrevivência é muito forte. Mas mais forte em uns do que em outros...!

O senhor perdeu a fé em algum momento?
 Sempre tive fé em mim. Que ia dar todo o possível.

Em Deus?
Em Deus, perdi, recuperei, perdi, recuperei, perdi, recuperei...perdi....estou tentando recuperá-la no mesmo nível de antes.

O que fez do senhor um líder para o grupo, naquela situação?
Não sei. Talvez as circunstâncias. As pessoas reagem de formas diferentes frente aos estímulos sensoriais e mentais. Quando a morte se aproxima, sentimos medo e não é fácil conquistar o medo. Eu não conquistei, apenas o suportei. Outros, ficaram paralisados.

O senhor diz que sua motivação para sair da montanha era a família. Mas como motivar o grupo, em uma situação tão adversa?
Com o exemplo e liderando com compaixão. Ocultando o medo que me envolvia, assim como envolvia a todos.


O que é liderar com compaixão? Como o senhor definiria esse estilo de liderança?
É uma liderança sem verticalismos poderosos, sem demonstrações de poder supremo e autoritário. É uma liderança com o exemplo de entrega, onde o líder faz tanto ou mais que os outros.
Que características seriam essenciais para a liderança?
Experiência, intuição, confiança em si mesmo e nos demais.

Que tipo de olhar e estratégia um ambiente adverso (seja a Cordilheira dos Andes ou o mundo dos negócios) exige de um líder?
Diferentes condições exigem diferentes líderes. Em um boom econômico, liderar é fácil. Em crises, se necessita de um líder de decisões rápidas, com experiência e também compaixão pelos demais.

Por que a capacidade de tomar decisões rápidas é importante?
Porque, se um se equivoca, é possível voltar atrás. Se demora a tomar a decisão, às vezes é tarde demais.

Liderança e trabalho em equipe parecem ter sido essenciais para a sobrevivência nas montanhas e são propagados também como fundamentais para o sucesso no mundo dos negócios. O senhor concorda?
Sim, mas também o individualismo é necessário, sobretudo na hora das decisões chaves. Eu tinha claro desde o princípio que a única possibilidade de sobreviver era tentar sair dali, por nosso próprios meios. Quem quisesse vir comigo que viesse, quem quisesse ficar paralisado, que ficasse. A decisão de sair dali foi puramente pessoal  e individual. Todos trabalhavam em conjunto  e éramos uma boa equipe, mas a decisão primordial e final foi unicamente minha. Quando tem de se tomar a decisão mais importante em uma empresa, no final, o CEO está muito só.


Palestra

Nando Parrado tem 61 anos e comanda uma cadeia de lojas de ferragens, empresas de publicidade e de marketing, de investimentos e uma produtora de televisão, com operações no Uruguai e nos Estados Unidos.  Ele é autor do best seller "Milagre nos Andes" e foi considerado o melhor conferencista do mundo, segundo o World Business Fórum, realizado em Nova York, em 2010.

Nas montanhas, o senhor se viu obrigado a comer carne humana para sobreviver. Diariamente, empresários também precisam tomar decisões para se manter no mercado, para garantir a sobrevivência de seus negócios. O que é essencial no processo de tomada de decisão?
As circunstâncias determinam a ação. Na montanha, voltaria a fazer o mesmo, pois não havia outra opção. Se há opções, se pode escolher a melhor ou a menos pior.

É possível enxergar oportunidades em meio a um ambiente tão adverso?
É difícil, mas demonstramos que não é impossível.

O que a adversidade traz de oportunidade?
Mudar de rumo, mudar de cidade, mudar de país, mudar de tipo de negócio, conhecer mais a si mesmo, dar-se conta de que graças a adversidade você mudou para um negócio melhor, para outro trabalho... A adversidade ensina.

A economia mundial vive mais um período de crise, com crescimento econômico e geração de empregos em baixa. Qual deve ser a postura das empresas e dos líderes em meio às turbulências?
Crises têm havido sempre, recuperações também. O mais importante é sobreviver à crise com ações adequadas. Quem perde um emprego, por exemplo, o pior que pode fazer é ficar sentado e lamentar-se. No caso das empresas, aquelas que sobrevivem sempre são mais fortes.

Os líderes devem então agir?
Os líderes das empresas muitas vezes nestes casos devem deixar de lado o que aprenderam na academia e se deixar levar por sua experiência, sua intuição e seu coração. Na maioria das vezes as soluções para enfrentar as grandes crises não são ensinadas em Harvard ou em Wharton (escolas de administração norte-americanas)...E é nessas situações em que realmente se vê um grande líder.

Mas se houvesse uma receita para superar a crise e os momentos de dificuldade com que nos deparamos na vida, qual seria?
Não desistir nunca!

Que lições o senhor levou dos Andes para dentro das suas empresas?
Primeiro está a família e depois a empresa...!
O que sente hoje quando lembra daquela sexta-feira 13, em 1972?
Hoje, absolutamente nada. É como ter lido um livro. Mas ao ter estado perto da morte tantas vezes me dei conta do quão frágil é a vida e de que deveria aproveitar cada segundo, cada  respiração.

Que lições pretende trazer para o público de Natal?
Que a vida não é um direito. É uma benção. Gastamos nossa vida buscando o êxito, o sucesso, mas já fazemos isso vivendo. O sucesso está em buscar cada dia sem saber o que vamos encontrar no dia e sem esquecer das pessoas que nos amam e que temos ao lado. A motivação é compreender o fantástico que é estarmos vivos e sermos líderes primeiro de nossas vidas para depois podermos liderar em outras situações, em empresas, em esportes ou onde quer que seja.

#Fonte: Tribuna do Norte
"É preciso liderar com compaixão" "É preciso liderar com compaixão" Reviewed by CanguaretamaDeFato on 19.7.12 Rating: 5

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