Trabalho por aplicativos cresce e é principal fonte de renda para 1,7 milhão de pessoas no Brasil, aponta IBGE
O levantamento faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) e foi realizado em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Ministério Público do Trabalho. As estatísticas são experimentais e estão em fase de teste.

Mais de 1,7 milhão de brasileiros têm nos aplicativos sua principal fonte de renda, segundo o IBGE - Foto: José Aldenir/Agora RN
Aplicativos de transporte concentram maioria
De acordo com o IBGE, 53,1% dos trabalhadores plataformizados (878 mil pessoas) atuavam em aplicativos de transporte particular de passageiros, seguidos por 29,3% (485 mil) em entregas de comida e produtos, 17,8% (294 mil) em serviços gerais ou profissionais e 13,8% (228 mil) em aplicativos de táxi.
Considerando todos os trabalhadores que usavam aplicativos de transporte, incluindo táxi, o total chega a 964 mil pessoas, o equivalente a 58,3% do total.
Entre 2022 e 2024, houve aumento em todas as categorias, com destaque para os serviços gerais ou profissionais, que cresceram 52,1%, passando de 193 mil para 294 mil pessoas. O transporte particular teve alta de 29,2%, e as entregas, de 8,9%.
Perfil dos trabalhadores
Os homens representam 83,9% dos trabalhadores por aplicativo, e as mulheres, 16,1%. Quase metade (47,3%) tem entre 25 e 39 anos, e 59,3% possuem ensino médio completo ou superior incompleto. Pessoas com nível superior completo são 16,6%, enquanto 9,3% não têm instrução ou concluíram apenas o ensino fundamental.
Quanto à cor ou raça, 45,1% se declaram brancos, 12,7% pretos e 41,1% pardos.
Rendimento e carga horária
O rendimento médio por hora dos trabalhadores plataformizados é de R$ 15,40, 8,3% menor que o dos demais empregados do setor privado (R$ 16,80). A jornada média semanal é de 44,8 horas, cerca de 5,5 horas a mais que os não plataformizados (39,3 horas).
A renda mensal média é de R$ 2.996, valor 4,2% maior que o dos demais ocupados (R$ 2.875). Segundo o IBGE, a diferença é explicada pela carga horária mais extensa.
Entre 2022 e 2024, o crescimento do rendimento entre os trabalhadores de aplicativos foi de 1,2%, contra 6,2% dos que não dependem dessas plataformas. Em 2022, os plataformizados ganhavam 9,4% a mais, diferença que diminuiu ao longo do período.
De acordo com Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE, a variação está relacionada ao tipo de ocupação.

Encontro Vai Turismo – Foto: Divulgação












