Canguaretama: HISTÓRIA DA ÚNICA INDÍGENA CANDIDATA A PREFEITA NO RIO GRANDE DO NORTE

Candidata Irmã Lila, de Canguaretama, começou a trabalhar vendendo coentro na feira (Foto: divulgada nas redes sociais)

Em Canguaretama, município distante 78 km de Natal, desponta a única candidatura majoritária indígena de todo o Estado. Wilinhene Cristina da Silva, ou simplesmente Irmã Lila, encabeça chapa do PSDB na disputa pela prefeitura na cidade do Litoral Sul. Atualmente exercendo cargo de vereadora e presidindo a Câmara Municipal, a candidata afirma buscar um cuidado com as pessoas e, principalmente, com a população indígena que não tem sido vista pelas gestões. 

Lila reside e tem origem na comunidade indígena Eleotérios do Catu, da etnia Potiguara, situada em dois municípios, Canguaretama e Goianinha. Segundo o Cacique Luiz Catu, a aldeia tem origem no século XVIII. O lugar teria abrigado famílias indígenas potiguaras e tapuias expulsos de suas terras e que resistiam à catequização compulsória. 

Segundo informações do repositório Povos Indígenas do RN, mantido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, o lugar abriga hoje 142 famílias. São 726 pessoas autodeclaradas indígenas vivendo, prioritariamente, do cultivo do milho, feijão, macaxeira e batata doce. A comunidade busca até hoje, na Justiça, o reconhecimento e demarcação do território que tem sido constantemente afetado por conflitos socioambientais ocasionados por empreendimentos como as usinas e a monocultura.

Irmã Lila e Cacique Luiz Catu – Foto de Divulgação

Apenas 6 candidatos a prefeituras no Brasil se declararam indígena em 2020

A candidata do PSDB é uma das seis de todo o país a se autodeclarar indígena e concorrer ao cargo máximo de um município, como destacou nacionalmente a revista AzMina. Em 2016, quando foi eleita vereadora, Lila foi uma das 28 mulheres indígenas a ter assumido o cargo no legislativo municipal dentre cidades de todo o país. Também foi a primeira de Canguaretama a atingir o feito. 

Nas eleições de 2020, estão registradas 2.202 candidaturas indígenas no Brasil, um crescimento de aproximadamente 28% em comparação com o último pleito municipal, quando houve 1.715 candidatos que se declararam indígenas. Segundo levantamento do  Elas no Congresso, mais mulheres concorrem este ano para prefeituras e câmaras de vereadores, um incremento de 49% em relação a 2016. No entanto, elas seguem representando apenas 32% do total de candidatos indígenas.

A trajetória de atuação política de Lila começa pelo apoio a outras candidaturas. Ela indica que sempre participou ativamente de campanhas como cabo eleitoral e percebeu que poderia fazer mais se tivesse um mandato próprio. “Foi uma coisa que me despertou em meio às necessidades das nossas famílias”, conta.

Assim, se candidatou a vereadora em 2016, obtendo 539  e figurando como a 5ª mais votada.

Em 2020, após participar de diversas reuniões e grupos de mulheres do PSDB, decidiu se filiar ao partido que escolheu o nome dela para encabeçar chapa, mesmo com pesquisa interna indicando menos de 2% de intenção de voto para a indígena no município.

Plano de governo inclui ações voltadas para comunidades indígenas

“Se, há mais de três décadas Canguaretama vem sendo revezada por duas famílias no poder que não fazem nada, e que não olham para os quatro cantos da nossa cidade, então a índia vai fazer a diferença”, afirma a candidata de 36 anos.

No plano de governo, Irmã Lila favorece a pauta indígena em diversos setores, mas principalmente na educação, onde pretende maior incentivo à educação indígena. A comunidade já dispõe da primeira escola com especificidade étnica do Rio Grande do Norte, onde Lila estudou, a Escola Municipal de João Lino, que existe desde 1976 mas, em 2008, foi readequada à característica de formação da comunidade.

Na saúde, pretende criar uma unidade básica de atenção na comunidade do Catú do Eleotérios. Também prevê a criação do Plano Indígena de Incentivo aos catadores de frutas silvestres e quer incluir a comunidade na programação turística ecológica a ser criada no município. Outro ponto de destaque é o fortalecimento da agricultura familiar e da comercialização dos produtos cultivados pelas comunidades.

Mesmo frequentando a igreja evangélica Assembleia de Deus há 11 anos, ela destaca que pretende fortalecer o reconhecimento da cultura do seu povo de origem também por meio de políticas públicas. Lila reafirma que sua trajetória de vida é marcada pela vivência na comunidade e pelo trabalho como agricultora com os pais, desde a infância. Conta ter sido vendedora de coentro na feira para ajudar a família. Depois disso, tentou se formar em enfermagem, mas problemas pessoais a impediram de concluir o curso. Mesmo assim, foi aprovada em concurso público da Prefeitura de Canguaretama, onde atuou até a chegada na Câmara Municipal.

“Se eu não gosto de me pintar, não é isso que faz mais ou menos índia”, diz.





#Fonte: Revista Saiba Mais

Canguaretama: HISTÓRIA DA ÚNICA INDÍGENA CANDIDATA A PREFEITA NO RIO GRANDE DO NORTE Canguaretama: HISTÓRIA DA ÚNICA INDÍGENA CANDIDATA A PREFEITA NO RIO GRANDE DO NORTE Reviewed by Canguaretama De Fato on 9.11.20 Rating: 5

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