Natal tem presenciado nos últimos dias uma grande mobilização contrária ao Poder Municipal, liderada por jovens insatisfeitos com a atual situação em que se encontra a cidade. A atitude dos manifestantes parece estar refletida no que revela o Projeto Sonho Brasileiro, uma das maiores pesquisas já realizadas sobre o futuro do País a partir da perspectiva da juventude brasileira.
Divulgado na última segunda-feira, 13, o estudo mostra mudanças de atitude e pensamento dos jovens, como um comportamento mais coletivo e atuante na sociedade, orgulho de ser brasileiro e otimismo com o futuro do País, entre outros relativos à família, trabalho, emprego, economia, religião, educação e sonhos, coletivos e individuais.
Já a fase qualitativa ouviu jovens das classes A, B e C, das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre.
Diferente do comportamento individualista dos jovens dos anos 80 e 90, voltados para o êxito profissional de suas carreiras e o retorno financeiro, a juventude de hoje sente a necessidade de respeito e valorização do coletivo. Muitos demonstram o desejo de agir de alguma forma pelo bem da comunidade.
Os pesquisadores apontam como destaque do estudo o novo significado dado por essa geração ao trabalho, onde 24% afirmam que o maior anseio está relacionado à "profissão dos sonhos";16% disseram ter como maior sonho questões mais funcionais ligadas ao trabalho, como a conquista de um emprego melhor ou do primeiro emprego.
De acordo com o Projeto Sonho Brasileiro, estabilidade, carreira e dinheiro são importantes para os jovens, mas dividem espaço com outras motivações, como realização pessoal e relevância social.
Vídeo e outros aspectos do estudo estão disponíveis no site www.osonhobrasileiro.com.br.
Pesquisa aponta um jovem orgulhoso de viver no brasil
O Projeto Sonho Brasileiro revela interessantes aspectos sobre o entendimento do jovem com relação ao país. Os que sentem orgulho do Brasil representam 89%, contra 11% que afirmam ter vergonha. Os dados ainda apontam 87% para quem acredita termos um papel importante no cenário internacional; e 75% que pensam estarmos mudando para melhor.
Para o sociólogo Gabriel Milanez, um dos pesquisadores do projeto, essa geração já nasceu num bom momento do Brasil - "o país do presente" na visão da juventude.
Do ponto de vista político, o jovem de hoje também pensa de forma diferente das gerações anteriores. "Ele não busca mudanças pelas vias institucionais, e tem uma visão cotidiana da política. A ideia do messias que vai salvar tudo não é a lógica", analisa Gabriel.
A juventude está pensando política de forma descentralizada e, de acordo com o Sonho Brasileiro, 59% deles não têm partido político. O voluntariado e o senso de coletividade crescem entre os jovens que, por viverem em um mundo cada vez mais conectado, atuam bastante em redes sociais na internet - uma "micro-revolução", como denomina o opesquisador.
"Não é mais o modelo do que vem de cima. É somar para transformar o todo. Um novo modelo de pensar a mudança social, não só a partir dos políticos tradicionais", comenta Milanez.
Um exemplo claro desse aspecto apontado pelo estudo pode ser visto no movimento #ForaMicarla e sua ocupação pacífica de 11 dias da Câmara de Vereadores de Natal.
A juventude tem projeções positivas para os próximos cinco anos, consideram ser a corrupção um problema muito sério e acreditam na ética. "É ser honesto como forma de transformação da sociedade e partindo dele. O jovem hoje é pragmático; não nutre um otimismo idealista e vê as coisas de forma realista. São otimistas por que enxergam as mudanças a partir deles", analisa o sociólogo.
Hoje em dia, o jovem tem mais liberdade para fazer escolhas e buscar seus objetivos nas mais diversas áreas. Com relação à família, ele se sente mais livre para experimentar qual modelo prefere; com filhos, sem filhos; ou até mesmo escolher não ter uma. A prática religiosa também é alvo de experimentos.
Estudantes acham que geração deles é mais atuante
O estudante André Mariano Lobo Paiva, 21 anos, do curso de Engenharia Têxtil da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, considera o jovem de hoje mais atuante politicamente do que de algumas gerações passadas. Ele comenta que apesar de não participar ativamente de nenhum movimento ou partido político, tem bem definidas suas convicções e ideologia.
André não considera o jovem de hoje conservador e, ao analisar a orientação religiosa da juventude, considera ter diminuído a prática na mesma proporção em o radicalismo recuou.
O trabalho e o emprego parecem estar realmente entre as principais aspirações dos jovens atuais. "Ele está procurando cada vez mais se especializar e buscando trabalhar em sua área o mais cedo possível", analisa André.
A estudante de Enfermagem da UFRN, Patrícia Medeiros da Silva, 23 anos, concorda com André que os jovens estão ingressando cedo no mercado de trabalho. "Alguns até deixam os estudos para trabalhar; tudo pela necessidade de se manter."
Refletindo sobre envolvimento político, a universitária não deixa de lembrar da importante atuação dos "caras pintadas" durante o processo de impeachment de Collor, tendo-os como base para análise e comparação. Para Patrícia, é importante participar das questões políticas, envolver-se com elas. "Nós temos mais liberdade, mais democracia. Antes era tudo mais limitado pela repressão."
Ela vê mais liberdade também na área religiosa e, em comparação com alguns valores de seus pais, acredita que certos costumes realmente mudaram bastante. "Meu pai fala sempre que antes o casamento era muito mais sério do que hoje."
Leonardo Matias, 22 anos, trabalha como supervisor de obras e faz parte de um grupo de jovens em Parnamirim. Ele acredita estarem os jovens de hoje mais preocupados em conhecer melhor aquilo que procuram, além de serem mais atuantes, em comparação a juventude de dez anos atrás, na política, religião, trabalho e ações coletivas, entre outras áreas.
"Hoje, devido à tecnologia, o pessoal tem mais conhecimento das coisas. Informação sempre teve; os jovens é que não procuravam se informar", analisa Leonardo, que, junto com seus amigos, atua como voluntário ajudando jovens drogados, incentivando-os a ter uma vida melhor.
Com relação a trabalho e emprego, Leonardo ainda vê um pouco de indecisão entre seus amigos, o que considera normal. Mas acredita que o mercado de trabalho tem dado bastante oportunidades aos jovens. "Com a experiência de trabalho, você vai se encaixando na área que procura."
#Fonte: Tribuna do norte
Divulgado na última segunda-feira, 13, o estudo mostra mudanças de atitude e pensamento dos jovens, como um comportamento mais coletivo e atuante na sociedade, orgulho de ser brasileiro e otimismo com o futuro do País, entre outros relativos à família, trabalho, emprego, economia, religião, educação e sonhos, coletivos e individuais.
junior santos
Patrícia concordou com o que aponta a pesquisa
A pesquisa foi realizada pela empresa paulista Box1824, especializada em mapeamento de tendências de comportamento. A parte quantitativa ficou a cargo do instituto Datafolha, que entrevistou 1.784 jovens, na faixa de 18 a 24 anos, em 173 cidades e 23 estados brasileiros, das classes A e E. Já a fase qualitativa ouviu jovens das classes A, B e C, das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre.
Diferente do comportamento individualista dos jovens dos anos 80 e 90, voltados para o êxito profissional de suas carreiras e o retorno financeiro, a juventude de hoje sente a necessidade de respeito e valorização do coletivo. Muitos demonstram o desejo de agir de alguma forma pelo bem da comunidade.
Os pesquisadores apontam como destaque do estudo o novo significado dado por essa geração ao trabalho, onde 24% afirmam que o maior anseio está relacionado à "profissão dos sonhos";16% disseram ter como maior sonho questões mais funcionais ligadas ao trabalho, como a conquista de um emprego melhor ou do primeiro emprego.
De acordo com o Projeto Sonho Brasileiro, estabilidade, carreira e dinheiro são importantes para os jovens, mas dividem espaço com outras motivações, como realização pessoal e relevância social.
Vídeo e outros aspectos do estudo estão disponíveis no site www.osonhobrasileiro.com.br.
Pesquisa aponta um jovem orgulhoso de viver no brasil
O Projeto Sonho Brasileiro revela interessantes aspectos sobre o entendimento do jovem com relação ao país. Os que sentem orgulho do Brasil representam 89%, contra 11% que afirmam ter vergonha. Os dados ainda apontam 87% para quem acredita termos um papel importante no cenário internacional; e 75% que pensam estarmos mudando para melhor.
Para o sociólogo Gabriel Milanez, um dos pesquisadores do projeto, essa geração já nasceu num bom momento do Brasil - "o país do presente" na visão da juventude.
Do ponto de vista político, o jovem de hoje também pensa de forma diferente das gerações anteriores. "Ele não busca mudanças pelas vias institucionais, e tem uma visão cotidiana da política. A ideia do messias que vai salvar tudo não é a lógica", analisa Gabriel.
A juventude está pensando política de forma descentralizada e, de acordo com o Sonho Brasileiro, 59% deles não têm partido político. O voluntariado e o senso de coletividade crescem entre os jovens que, por viverem em um mundo cada vez mais conectado, atuam bastante em redes sociais na internet - uma "micro-revolução", como denomina o opesquisador.
"Não é mais o modelo do que vem de cima. É somar para transformar o todo. Um novo modelo de pensar a mudança social, não só a partir dos políticos tradicionais", comenta Milanez.
Um exemplo claro desse aspecto apontado pelo estudo pode ser visto no movimento #ForaMicarla e sua ocupação pacífica de 11 dias da Câmara de Vereadores de Natal.
A juventude tem projeções positivas para os próximos cinco anos, consideram ser a corrupção um problema muito sério e acreditam na ética. "É ser honesto como forma de transformação da sociedade e partindo dele. O jovem hoje é pragmático; não nutre um otimismo idealista e vê as coisas de forma realista. São otimistas por que enxergam as mudanças a partir deles", analisa o sociólogo.
Hoje em dia, o jovem tem mais liberdade para fazer escolhas e buscar seus objetivos nas mais diversas áreas. Com relação à família, ele se sente mais livre para experimentar qual modelo prefere; com filhos, sem filhos; ou até mesmo escolher não ter uma. A prática religiosa também é alvo de experimentos.
Estudantes acham que geração deles é mais atuante
O estudante André Mariano Lobo Paiva, 21 anos, do curso de Engenharia Têxtil da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, considera o jovem de hoje mais atuante politicamente do que de algumas gerações passadas. Ele comenta que apesar de não participar ativamente de nenhum movimento ou partido político, tem bem definidas suas convicções e ideologia.
André não considera o jovem de hoje conservador e, ao analisar a orientação religiosa da juventude, considera ter diminuído a prática na mesma proporção em o radicalismo recuou.
O trabalho e o emprego parecem estar realmente entre as principais aspirações dos jovens atuais. "Ele está procurando cada vez mais se especializar e buscando trabalhar em sua área o mais cedo possível", analisa André.
A estudante de Enfermagem da UFRN, Patrícia Medeiros da Silva, 23 anos, concorda com André que os jovens estão ingressando cedo no mercado de trabalho. "Alguns até deixam os estudos para trabalhar; tudo pela necessidade de se manter."
Refletindo sobre envolvimento político, a universitária não deixa de lembrar da importante atuação dos "caras pintadas" durante o processo de impeachment de Collor, tendo-os como base para análise e comparação. Para Patrícia, é importante participar das questões políticas, envolver-se com elas. "Nós temos mais liberdade, mais democracia. Antes era tudo mais limitado pela repressão."
Ela vê mais liberdade também na área religiosa e, em comparação com alguns valores de seus pais, acredita que certos costumes realmente mudaram bastante. "Meu pai fala sempre que antes o casamento era muito mais sério do que hoje."
Leonardo Matias, 22 anos, trabalha como supervisor de obras e faz parte de um grupo de jovens em Parnamirim. Ele acredita estarem os jovens de hoje mais preocupados em conhecer melhor aquilo que procuram, além de serem mais atuantes, em comparação a juventude de dez anos atrás, na política, religião, trabalho e ações coletivas, entre outras áreas.
"Hoje, devido à tecnologia, o pessoal tem mais conhecimento das coisas. Informação sempre teve; os jovens é que não procuravam se informar", analisa Leonardo, que, junto com seus amigos, atua como voluntário ajudando jovens drogados, incentivando-os a ter uma vida melhor.
Com relação a trabalho e emprego, Leonardo ainda vê um pouco de indecisão entre seus amigos, o que considera normal. Mas acredita que o mercado de trabalho tem dado bastante oportunidades aos jovens. "Com a experiência de trabalho, você vai se encaixando na área que procura."
#Fonte: Tribuna do norte
O que Pensa os Jovens?
Reviewed by CanguaretamaDeFato
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19.6.11
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