GESTÃO PÚBLICA: Quando o objetivo é o desempenho


A presença de Jorge Gerdau em um evento sobre Gestão Pública é simbólica. Pioneiro na defesa da qualidade e excelência dos serviços no Brasil, tanto na iniciativa privada quanto no setor público, o empresário gaúcho é hoje o responsável por modernizar a gestão das instituições públicas do Governo Federal, na recém-criada Câmara de Gestão de Desempenho e Competitividade, da qual ele é o presidente. Representando os esforços de modernização do setor público, Jorge Gerdau falou ontem para uma extensa plateia no seminário Motores do Desenvolvimento. Gerdau abordou a história da luta pela qualidade nos serviços do Brasil e as atribuições da Câmara de Gestão.
Palestra de Jorge Gerdau, a 
primeira na programação do seminário, atraiu a atenção do público para 
os conceitos de gestão pública baseados em paradigmas empresariaisPalestra de Jorge Gerdau, a primeira na programação do seminário, atraiu a atenção do público para os conceitos de gestão pública baseados em paradigmas empresariais

A Câmara é uma organização com capacidade de agir nos mais diferentes ministérios, sempre com o intuito de criar processos mais produtivos. De acordo com Jorge Gerdau, a cada R$ 1 investido na eficiência da gestão, há um retorno de R$ 192. "Não é possível para um país como o Brasil conseguir se firmar no mercado mundial, com o aumento da competitividade decorrente da globalização, sem investir na melhoria dos processos administrativos que geram ineficiência", disse, citando o exemplo da Santa Casa de Misericórdia, que consegue atender até quatro mil pacientes por dia com um custo quatro vezes menor que um hospital público mal gerido.

A preocupação de Gerdau com a eficiência e o gasto de qualidade - sendo entendido como o valor mais econômico e eficaz para se atingir um determinado objetivo - data do início da década de 90. O empresário deve a consciência da importância de aprimorar a gestão aos japoneses. Em uma visita ao Japão, Gerdau percebeu que os empresários daquele país investiam no aprimoramento de processos na mesma medida em que investiam nas inovações técnicas do setor siderúrgico.

Desde então Gerdau passou a investir, na sua própria empresa, em qualidade. Essa iniciativa deu origem ao Movimento Brasil Competitivo. O esforço para conseguir mais eficiência foi transportado na mesma medida para o setor público. Os princípios expressados por Gerdau são: planejamento, metas, resultados, avaliação, etc. Entre os pontos mais defendidos por Jorge Gerdau, está a profissionalização do serviço público.

Para o empresário, o Brasil, ou qualquer outro país, não conseguirá ser competitivo no mercado internacional se não conseguir criar uma "elite" administrativa bem treinada, técnica e selecionada através da meritocracia para ser responsável pela gestão no poder público. Ascender aos cargos de chefia apenas pela proximidade com o partido é uma prática que Jorge Gerdau vê como em contradição com o atual contexto. "Quem insistir nisso não poderá competir de igual para igual com outros países, principalmente por conta do nível de competitividade do mundo globalizado", aponta.

Acerca da Câmara de Gestão, Gerdau declarou que o trabalho está no início, mas garante a efetividade das decisões. "Somos uma câmara com poder de decisão, de interferir no trabalho, no cotidiano da gestão", aponta. As prioridades são: saúde, educação, transportes, Correios e Justiça. A escolha dos temas foi compartilhada com a própria presidente da República, Dilma Rousseff. "É importante escolher áreas com grandes gargalos e também com orçamentos significativos. São nessas áreas onde ocorrem mais desperdícios", encerra.

Esforços devem ser para formar bons líderes

Bons gestores são pré-requisito para boas gestões. A constatação foi feita pelo presidente da Câmara de Gestão e Competitividade, Jorge Gerdau, durante o primeiro bloco de debates da 10ª edição do seminário Motores do Desenvolvimento do RN, realizado ontem no auditório da Fiern. Em respostar aos questinamentos feitos pela platéia que participou do evento, o empresário afirmou que a presença de profissionais qualificados nos diversos ramos da administração pública é imprescindível para o desenvolvimento do país.

"Apesar da indicação política pouco criteriosa ainda ser uma prática muito comum nos setores administrativos do país, podemos dizer que o Brasil caminha para uma realidade diferente, na qual os cargos técnicos serão ocupados por profissionais de carreira, normalmente mais gabaritados para desempenhar o serviço", disse ele, afimando que a mudança já pode ser notada em setores como o Itamaraty e o Banco Central.

De acordo com Guerdau, tal mudança de paradigma pode ser impulsionada pela opinião pública que, insatisfeita diante dos atuais casos de corrupção nos órgãos públicos, deve pressionar os governantes no sentido de tornar mais cuidadosa a indicação de nomes para cargos importantes. "A tendência é que isso aconteça e, quem sabe, atinja até mesmo as indicações para os ministérios", enfatizou, ressalvando, no entanto, que antes disso é preciso investir na formação dos profissionais que virão a ocupar estes postos no futuro.

Apesar de acreditar neste processo de alteração, o empresário destacou que os reais efeitos das modificações só serão sentidos após a implantação de uma ampla reforma administrativa que, segundo ele, não deve ser consolidada em um futuro próximo. "A construção deste processo leva tempo, sobretudo porque relaciona questões que vão desde o aprimoramento do conceito de governança até a interação entre sociedade, empresas e universidade em debates com o intuito de discutir os preceitos da gestão".

Quando questionado acerca da importância da ética para o processo de gestão, o empresário Jorge Gerdau afirmou que a organização de um bom conjunto de valores está intimamente ligado ao sucesso das instituições. Segundo ele, a integridade é determinante para a perpetuação dos negócios tanto na esfera privada, quanto na pública. "Sem valores éticos nenhuma sociedade funciona", resumiu.

Seminário é aula inaugural de curso do ILP

O seminário do projeto Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte foi também a "aula inaugural" do curso de Gestão Pública do Instituto Legislativo Potiguar, entidade criada em 2009 pela Assembleia Legislativa do RN, semelhante ao da Escola de Governo.

Professores e alunos acompanharam atentamente, desde as primeiras palestras, os debates sobre o tema. Segundo o diretor Mizael Barreto, a oportunidade oferecida pelo seminário foi de grande importância para a turma. O instituto está inaugurando o curso, essa é a primeira turma e, segundo Mizael, poder ouvir especialistas como Jorge Gerdau e Vicente Falcone, além de um governador exitoso como Eduardo Campos, foi como uma aula magna de abertura.

 O curso de Gestão Pública, segundo ele, abre uma nova etapa na formação oferecida pelo instituto. O curso anteriormente oferecido se detinha na área da administração legislativa. "O curso de Gestão Pública é mais amplo. A primeira turma do curso de administração legislativa se formará no final do ano", diz o professor Mizael.

Serão 120 vagas, com duas turmas. A primeira, com 60 alunos, inicia o trabalho no dia 15 de setembro e esteve ontem no seminário do MDRN. A segunda, começa com as aulas no primeiro semestre de 2012.

Bate-papo

» Angela Maria Paiva, Reitora da UFRN

Qual é a importância de se discutir a gestão pública?

O tema nao poderia ser mais revelante. Em um momento em que gestão pública e gestão privada confluem em alguns grandes projetos no RN e no Brasil, discuti-las enriquece as nossas práticas nas instituições publicas, mas também faz com que o setor privado entenda melhor como pode funcionar o outro lado.

Como a UFRN pode contribuir nas discussões acerca da questão da gestão pública?

 Nós temos uma gestão de uma instituição pública que é a maior do Estado e temos uma experiência de planejamento estratégico desde algumas décadas. Estamos fazendo gestão universitária hoje com planos de desenvolvimento institucional baseados em conjuntos de metas plurianuais e estratégias para atingir esses indicadores. Nessa gestão, o acompanhamento e avaliação são feitos com o intuito de fazer correções de rumo. Portanto, nossos resultados são visíveis e podem ser constados pela observação do nosso crescimento programático. 

Quais são os principais desafios do RN quando o assunto é gestão pública?

A principal dificuldade, hoje, é o trabalho em conjunto com o objetivo de atingir metas. Não é apenas o trabalho do gestor que deve ser cobrado para que os objetivos sejam superados, mas sim o esforço coletivo. É preciso aproximar a equipe do líder, tanto na etapa de planejamento quanto na execução, de modo a unir a disposição de todos que fazem aquela instituição.

#Fonte: Tribuna do Norte
GESTÃO PÚBLICA: Quando o objetivo é o desempenho GESTÃO PÚBLICA: Quando o objetivo é o desempenho Reviewed by CanguaretamaDeFato on 23.8.11 Rating: 5

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