A Lagoa de Extremoz, na Grande Natal, nunca atingiu um volume tão baixo desde que passou a ser monitorada pela Secretaria de Estado de Recursos Hídricos (Semarh), em 2007. O manancial está com 48,55 % do total da capacidade e, caso as chuvas não cheguem, em alguns meses será necessário um racionamento de água da população atendida pela lagoa. O reservatório é responsável pelo abastecimento de 70% da região Norte de Natal.
A coordenadora da Gerência de Recursos Hídricos da Semarh, Joana Darc Freire de Medeiros, alertou ontem para a importância de se racionar água neste momento de estiagem. As pessoas precisam atentar para vazamentos e fazer o possível para não utilizar água de forma a provocar desperdícios, disse ela. Segundo Joana Darc, a Secretaria realiza um constante monitoramento para evitar que o manancial seque, impossibilitando o abastecimento. Vamos continuar monitorando de perto, mas é importante essa participação da população, frisou.
De acordo com os dados disponibilizados no site da Secretaria de Recursos Hídricos, a Lagoa de Extremoz comporta 11.019.525 m³, mas atualmente está com um volume 5.350.431 m³. Enquanto o problema de desabastecimento não chega, a população que vive da pesca no local reclama da falta de condições para a realização da prática. Pedro Luiz da Silva é pescador e tem 69 anos de idade. Ele mora na região desde que nasceu e quando questionado sobre o nível do manancial, concordou com as informações da Semarh. Eu nunca vi essa lagoa tão seca, exclamou.
Seu Pedro é um exemplo entre as várias pessoas que utilizavam a Lagoa de Extremoz para a pesca e precisaram migrar para outros lugares para permanecerem se sustentando com a venda de peixes. Ele contou que atualmente tem se deslocado para o distrito de Estivas para pescar. É aonde ainda tem um pouco de água do rio que desce para Jenipabu, explicou. Pedro Luiz disse que, devido à lama que se formou e que se aproxima da superfície, as canoas não conseguem manter o curso sobre a água.
O pescador lembrou que já encontrou quatro canoas submersas quando mergulhava pela lagoa. Os botes pertenceram a índios que habitaram a região quando a cidade ainda era uma aldeia e hoje estão na fundação cultural do município. Seu Pedro contou que duas dessas não puderam ser retiradas de imediato, porque estavam em um nível muito profundo do manancial. Porém, há dois meses os barcos emergiram por causa do baixo volume do reservatório hídrico.
O pedreiro Ronaldo Félix da Silva, de 31 anos, já trabalhou como pescador e é amigo de Pedro Luiz. Ele também concorda com a informação de que a lagoa nunca atingiu um nível tão baixo. Ronaldo ganhou o apelido de Jacaré, pois durante a infância passava boa parte do dia dentro da lagoa, brincando com os irmão e amigos. O pedreiro confessou ter ficado assustado quando se deparou com o manancial ao chegar à margem. Desse jeito eu nunca vi, exclamou.
O cenário encontrado em algumas localidades que margeiam a Lagoa de Extremoz lembra a paisagem comuns no sertão em períodos de estiagem. Chão rachado e seco. Em um determinado trecho apontado por Ronaldo Félix, na comunidade de Carão, foi possível ver as marcas deixadas pela última cheia nas paredes de imóveis próximos ao reservatório. Em um dos perímetros, a lagoa atualmente está a mais de 100 metros de distância.
Os muros dessas casas têm se aproximado do manancial que se afasta a cada dia em virtude da estiagem. Isso porque alguns proprietários de terrenos aumentaram as propriedades e construíram na área que antes era ocupada pela água. Ontem foi possível perceber pedreiros trabalhando em propriedades e aumentando a extensão dos muros. A reportagem procurou pelo proprietário, mas não o encontrou. Os empregados da residência informaram que ele estava viajando.
Comércio e turismo são afetados
O baixo nível da Lagoa de Extremoz também tem afetado a vida de quem vive do comércio à beira do manancial. Laércio Brito tem 50 anos de idade e há 14 anos é dono de uma barraca no balneário da lagoa. Ele contou que tem sofrido com a redução dos clientes desde que o reservatório vem perdendo água.
O banhista não vem mais tomar banho, porque a lama tomou conta da lagoa. Tem mais lama que água, reclamou. O comerciante disse que ele mesmo avisa às pessoas que tentam se banhar no manancial para não se afastarem demais da margem. Lá no meio é só lama. É muito perigoso, alertou.
O empresário Wilson Macedo, de 42 anos, foi vítima dessa lama. Ele passava com o seu veículo 4x4 na beira da lagoa, quando o chão cedeu e o carro atolou. Disseram que o nível estava muito baixo e eu vim conferir se era verdade, mas acabei me dando mal, contou Macedo, enquanto tomava uma cerveja para aguardar o tempo de chegada do reboque. O empresário afirmou que frequenta a Lagoa de Extremoz desde 1996, para a prática de esqui aquático e passeios de lancha. Mas seca desse jeito ela nunca ficou, corroborou.
#Fonte: Tribuna do norte
SECA: Estiagem encolhe Lagoa de Extremoz
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