Para o jurista e ex-deputado Paulo de Tarso Fernandes, na entrevista que deu para a repórter Maria da Guia Dantas, publicada na Tribuna do Norte de domingo, faltam lideranças para que as reformas políticas exigidas pelo povo brasileiro em passeatas de protesto pelas principais cidades do país possam ser concretizadas: “O Brasil precisa mudar, mas está carente de líderes”. Tal afirmação aponta um longo caminho que a Nação precisa trilhar para que o clamor das multidões alcance seus objetivos. Paulo de Tarso faz uma análise correta, oportuna do quadro político que vive o país. Que bom, se os políticos - pelo menos os do Rio Grande do Norte - lessem o que Paulo de Tarso falou na sua entrevista. Começando pelo vasto mundo dos vereadores, prefeitos e, a partir daí, para as ditas escalas superiores (?): deputados, etecetera e tal.
Lessem e levassem a sério o que está contido na entrevista. Paulo de Tarso fala:
“Eu penso que a atual discussão tem dois pecados originais: o primeiro é que para mim não é concebível uma reforma política - que vale dizer uma reforma de hábitos políticos, de prática política, de costume, de ação política, de compromissos – sem uma reforma partidária. E eu não tenho ouvido, quer da parte do governo, quer dos partidos ou do Congresso Nacional, ninguém falar este tema nem colocar o dedo nessa ferida. É preciso reformar internamente os partidos, a estrutura e a prática partidária, para que começassem a praticar a democracia. Do jeito que está, não há democracia no Brasil”.
Mais adiante e com a mesma ênfase:
“Da forma como estão, partidos não representam as diversas parcelas da sociedade porque as decisões, que deveriam vir da base para o topo, são tomadas do topo para a base”.
Constituinte ou plebiscito?, pergunta Maria da Guia, e Paulo de Tarso responde:
“A Constituinte é uma ideia democrática desde que seja realmente soberana e eleita para este propósito. Isso é uma manifestação popular muito mais válida. Já o plebiscito é uma democracia direta, pontual. Não se faz um corpo de leis através de plebiscito. Não se faz em lugar nenhum do mundo (...) Uma Constituinte significa ruptura, fazer de novo, uma revolução pacífica. Seria um excelente começo. Não sendo possível cobrar do Congresso. E aí, é necessário uma liderança, e o país está sem.”
No mesmo tom, lá na frente, Paulo de Tarso, ao afirmar que é preciso discutir muito essas questões, dar passos, caminhar, chega à conclusão que às vezes a reta é trágica: “Não há lideranças que conduzam à formação de ideias”. Ele também acha que a ideia do plebiscito, nascida na penumbra do Palácio do Planalto, foi para constranger a classe política. Responde à outra pergunta da repórter Maria da Guia Dantas (‘O Congresso atual está preparado para discutir uma reforma política?):
“O grande problema é como levar o Congresso para fazer a reforma. Se pensou no plebiscito para constranger o Congresso, porque o povo levando, tinha que ter consequências. É preciso fazer alguma coisa. O país que conseguiu vencer a inflação não conseguiu vencer os maus hábitos políticos (...) O país domou a inflação e não conseguiu domar as péssimas práticas”.
Bem que a entrevista de Paulo de Tarso poderia se transformar numa cartilha que seria depois juntada ao título de eleitor, abrindo sua consciência.
#Fonte: tribuna do norte
Brasil Carente de Líderes
Reviewed by CanguaretamaDeFato
on
22.7.13
Rating:
Reviewed by CanguaretamaDeFato
on
22.7.13
Rating:

Nenhum comentário:
OS COMENTÁRIOS SÃO DE EXCLUSIVA RESPONSABILIDADE DO AUTOR.
REGRAS PARA FAZER COMENTÁRIOS:
Se registrar e ser membro do Blog; Se identificar (não ser anônimo); Respeitar o outro; Não Conter insultos, agressões, ofensas e baixarias; A tentativa de clonar nomes e apelidos de outros usuários para emitir opiniões em nome de terceiros configura crime de falsidade ideológica; Buscar através do seu comentário, contribuir para o desenvolvimento.