Economia do RN em Baixa

A economia do Rio Grande do Norte fechou o primeiro semestre do ano em baixa. Nos primeiros seis meses de 2013, o valor das exportações caiu e o mercado de trabalho desaqueceu. A seca, apontada como um dos principais vilões para a retração, não explica totalmente o quadro. O valor exportado no RN cresceu menos do que em todos os outros estados do Nordeste, igualmente afetados pela falta de chuvas. Enquanto o governo do estado tenta buscar uma solução para a crise, empresários de vários ramos adotam estratégias diferentes para manter as exportações em alta e evitar novas demissões. O governo do estado diz que é preciso fazer ‘da crise uma oportunidade’, mas especialistas têm dúvidas quanto a recuperação da economia em 2013. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e do Ministério do Trabalho e Emprego, o RN registrou no primeiro semestre do ano um dos piores desempenhos  desde 2002. 

RN fica para trás no comércio exterior


O Rio Grande do Norte foi o estado do Nordeste onde o valor exportado no primeiro semestre do ano menos avançou desde 2002. Outros estados igualmente afetados pela seca, como a Bahia, registraram crescimento quase 100 vezes superior ao do RN, em termos de exportação. Os dados são Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Mas não é apenas o valor exportado que tem crescido em marcha lenta no estado. 

As contratações com carteira assinada também perderam fôlego e fecharam o primeiro semestre de 2013 com o quarto pior desempenho desde 2003.

Seca prejudicou as exportações, mas o RN sofreu mais do que todos os outros Estados da região Nordeste, igualmente afetados pela falta de chuvasSeca prejudicou as exportações, mas o RN sofreu mais do que todos os outros Estados da região Nordeste, igualmente afetados pela falta de chuvas

A multinacional americana Del Monte Fresh Produce Brasil Ltda, que cultiva banana em três municípios no Rio Grande do Norte e exporta quase 100% do que produz para a Europa, não conseguiu conter a queda nas exportações no primeiro semestre. A área de plantio foi ampliada em 150 hectares, chegando a 1,4 mil apenas no estado, mas ainda assim o volume exportado foi 28% menor que o exportado no mesmo período do ano passado. A razão foi a seca. O quadro fez a empresa repensar investimentos e cogitar a possibilidade de enxugar o quadro de funcionários, segundo Denílson Cardoso, diretor jurídico da empresa. 

Castanha

Manoel Cristiano da Cunha, produtor de castanha de caju no assentamento rural Novo Pingos, em Açu, viu a seca dizimar a produção e os colegas produtores irem buscar trabalho nas indústrias da região. “Vendíamos nossa produção para as beneficiadoras, mas esse ano não produzimos nenhum quilo”.  Segundo Manoel, vai ser difícil o assentamento voltar a produzir as 100 toneladas comercializadas na safra 2010/2011. 

Os dois produtos – a banana e a castanha de caju – estão entre os responsáveis por puxar para baixo o valor exportado pelo Rio Grande do Norte. Só de castanha de caju – segundo produto com maior representatividade na pauta de exportações potiguar - o estado deixou de exportar R$ 8,3 milhões nos primeiros seis meses de 2013. 

Apesar da desaceleração, empresários que optaram por aportar seu capital no RN têm lançado mão de uma série de estratégias para driblar as dificuldades e manter a exportação e a geração de emprego em alta.     

Luiz Roberto Barcelos, sócio-diretor da Agrícola Famosa, maior exportadora de frutas frescas do Brasil e maior produtora de melão do mundo, conseguiu, por exemplo, aumentar de 20% para 40% o volume de frutas exportado no primeiro semestre do ano. “Exportamos 300 conteinners a mais nesse período”, relatou. O dólar em alta ajudou a empresa, que cultiva boa parte das frutas em áreas irrigadas, a ampliar sua participação no comércio exterior. Para a próxima safra, há a perspectiva de ampliação da área de plantio e a contratação de, pelo menos, mais 500 funcionários no RN e no Ceará. Especialistas, porém, estão menos otimistas em relação ao futuro.

Retomada do crescimento é dúvida

O Rio Grande do Norte dificilmente conseguirá repetir o desempenho alcançado em 2012, segundo avaliação de Aldemir Freire, economista e chefe do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no estado (IBGE/RN), que diz ter dúvidas com relação a recuperação da economia potiguar neste ano. “Devemos fechar o ano exportando menos do que exportamos no ano passado. Acredito que seguiremos a tendência nacional, que por enquanto é de queda”.

As projeções para a geração de emprego também não são muito animadoras. “Grandes obras de infraestrutura serão concluídas, como o estádio Arena das Dunas e o aeroporto de São Gonçalo do Amarante, o que   impactará na geração de empregos no estado. Praticamente todos os outros setores estarão em pior situação do que estiveram em 2012. O comércio vai melhorar, mas não vai repetir o desempenho de 2012. A construção civil provavelmente também não. A indústria extrativa enfrenta problemas, com a desaceleração da produção de petróleo. E até o setor de serviços reduzirá o ritmo das contratações”, prevê.

Prejuízos

O estado, acrescenta  Fran Bezerra, superintendente do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), vinculado ao Banco do Nordeste (BNB), levará pelo menos seis anos para recuperar as perdas provocadas pela seca, sobretudo no campo. “Temo até que este ano seja mais difícil que 2012, porque 2013 herda todos os prejuízos de 2012”, justifica.

O especialista em Comércio Exterior, Otomar Lopes Cardoso Júnior,  professor da Universidade Potiguar e da Faculdade de Natal, se mostra mais otimista com relação a recuperação do valor exportado, e explica que há uma relação direta entre exportações e geração de emprego, sobretudo na fruticultura. “Quando as exportações sobem, a geração de emprego também sobe em determinadas atividades”.

O economista e secretário de Desenvolvimento Econômico  do Estado, Rogério Marinho, prefere não fazer projeções, mas diz que é possível transformar a crise em oportunidade. “Precisamos encontrar alternativas para dinamizar a economia”, diz. 


#Fonte: Tribuna do Norte
Economia do RN em Baixa Economia do RN em Baixa Reviewed by CanguaretamaDeFato on 28.7.13 Rating: 5

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