Ao
longo de 13 anos, um complexo de túneis levou mais de uma centena de
presos que cumpriam pena na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia
Floresta, à liberdade ilegal. Uma caverna descoberta no início da semana
passada pela direção da casa carcerária não é uma rota nova para fugas,
mas a ampliação de uma estrutura cuja montagem diária pelos apenados
remonta mais de uma década.
O
primeiro túnel que se tem notícia foi descoberto no Pavilhão 1 de
Alcaçuz em 2001, três anos depois de sua inauguração. Desde então, uma
complexa teia de galerias clandestinas se formou embaixo daquele e dos
pavilhões sem que nenhuma atitude enérgica quanto ao correto fechamento
das estruturas fosse tomada por antigos e atuais secretários de
Segurança Pública ou chefes do Executivo Estadual.
Desocupados
dia e noite, pois pouco do que se pensou para a ocupação dos presos se
concretizou, um trabalho paciente consumiu o esforço de aproximadamente
250 homens que cumpriram ou cumprem pena em uma das 36 celas do
Pavilhão 1. Mesmo aqueles que não pretendiam fugir eram obrigados a
escavar sob ameaça de morte. Os túneis se formaram, uniram celas e
permitiram aos detentos uma livre e tranquila circulação clandestina
pelas alas do Pavilhão referido.
A areia extraída do solo, cujo
quantitativo exato não foi mensurado, era escondida no teto das alas,
nos baldes de lixo, na tubulação da rede sanitária de esgoto e serve de
pilar, através do “empacotamento” em camisetas, lençóis e sacos
plásticos, das próprias escavações.
“A gente sabia que existia
um túnel e decidimos cavar no local. Achamos a caverna. Aquilo já fazia
alguns anos que era construída”, afirmou o diretor de Alcaçuz, Ivo
Freire. Para executar a operação, os presos utilizam desde colheres de
alumínio às pás dos ventiladores levados pelas famílias para amenizar o
calor nas celas. Através de buracos feitos nos pisos, o trabalho é
iniciado e consome dias e noites dos apenados.
Em
sua concepção inicial, Alcaçuz teria o piso reforçado, o que impediria a
construção de túneis. O projeto original, porém, foi abandonado e o que
seria uma carceragem de segurança máxima apresentou falhas em pouco
tempo de uso. “Todo o projeto foi seguido. Nós entregamos o que estava
no projeto”, asseverou o engenheiro Omar Romero Medeiros Dias, um dos
representantes da Construtora A. Gaspar, executora da obra. Erguido em
terreno dunar, o projeto arquitetônico da penitenciária indicava paredes
e solo com 15 centímetros de espessura, reforçados por concreto armado
com ferro, além de vigilância eletrônica ininterrupta.
Nos quatro
pavilhões principais da penitenciária, onde estão divididos 981 homens
atualmente, existem estruturas de túneis subterrâneos. Somente no
Pavilhão 4, entre janeiro e dezembro de 2010, por exemplo, vinte e cinco
presos fugiram utilizando a mesma estrutura de túneis. A atitude de
mais de uma dezena de diretores que passaram por Alcaçuz em 16 anos de
fundação foi basicamente a mesma: fechar a entrada principal e se
preparar para a próxima tentativa de fuga. A Secretaria de Estado de
Justiça e Cidadania (Sejuc), no mesmo intervalo de tempo, assegurou não
dispor de recursos para fechar as estruturas corretamente.
#Fonte: Tribuna do norte
Presos Abrem Túneis, nas peniticiárias do RN, Desde 2001
Reviewed by CanguaretamaDeFato
on
13.12.14
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