Uma
reportagem veiculada na noite deste domingo, 10, pelo programa
Fantástico, da TV Globo, informou que um dos sobreviventes do incêndio
(que terminou com a morte de dez atletas das categorias de base do
clube, na madrugada de sexta-feira, no Centro de Treinamento do
Flamengo, o Ninho do Urubu, no Rio de Janeiro) afirmou em seu depoimento
aos investigadores da Polícia Civil que havia uma espécie de
“gambiarra” em um dos aparelhos de ar-condicionado do alojamento em que
viviam – seis contêineres transformados em dormitórios e que ficavam em
uma parte do local que deveria ser um estacionamento.
Ainda na
noite deste domingo, 10, o portal do jornal O Globo noticiou que uma
análise preliminar constatou que as chamas tiveram início a partir de um
curto-circuito no ar-condicionado do alojamento seis – ainda não há a
certeza de que os aparelhos citados por Fantástico e pelo site são os
mesmos.
De acordo com o sobrevivente da tragédia, o aparelho de
ar-condicionado seria menor do que o buraco na parede. O espaço que
sobrou teria sido preenchido com pedaços de madeira, plástico bolha e
espuma. O programa procurou um especialista em segurança para comentar a
reportagem. Moacyr Duarte, afirmou que isso pode ter contribuído para que o ar entrasse por frestas na parede e alimentasse as chamas.
“Esse
tipo de ar-condicionado tem a parte do condensador fora do ambiente,
ele passa exatamente sobre o sanduíche do material isolante. Temos um
acabamento padrão de alumínio, que tem característica de resistência de
passagem de calor. Se não houvesse isso ou se tiver a possibilidade da
chama gerada entrar em contato com o material que está dentro do
sanduíche, o que vai acontecer é que vai estabelecer uma queima
semelhante a um forno de carvão. Ou seja, uma queima com muito pouco
ar”, contou.
À medida que vai tendo a evolução da linha de queima
para cima, você vai puxando o ar pelas frestas. Isso vai alimentando
aquela combustão lenta até que, quando chegar na extremidade da junção
de placa, o próprio calor gerado começa a dilatar as frestas e o ar
entra”, prosseguiu o especialista.
Nos contêineres onde os atletas
do Flamengo viviam, as paredes eram feitas com duas chapas de metal e o
espaço entre elas é preenchido com espuma de poliuretano, que, em tese,
deveria funcionar como isolante térmico e cáustico.
Em nota oficial
enviada ao Estado na tarde deste domingo, 10, o clube carioca afirma que
“os contêineres que incendiaram na sexta-feira no CT do clube não
continham material que favorecesse a propagação de chamas”, já que o
material usado entre as placas de metal das paredes do dormitório
possuiriam “característica auto-extinguível”.
Contudo, ao entrar
em contato com o fogo, o poliuretano provoca fumaça e libera gás
cianeto, substância extremamente tóxica, que provoca asfixia química e
morte em quem o inala. Os sobreviventes afirmaram aos investigadores que
tiveram muita dificuldade para acordar e para despertar os outros
atletas e sentiam-se como se estivesse desmaiados.
AR CONDICIONADO EM CT DO FLAMENGO TINHA ‘GAMBIARRA’, DIZ SOBREVIVENTE DE INCÊNDIO
Reviewed by CanguaretamaDeFato
on
11.2.19
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