Depois de anos de dedicação para criação dos filhos, chega o dia em que eles resolvem casar, fazer uma universidade fora ou até mesmo ter sua própria liberdade. O sofrimento é ainda maior quando o casal vê o filho ser enterrado. Na casa que era cheia de vozes, conversas e reuniões, o silêncio passa a prevalecer. Muitos se deprimem diante do distanciamento, quase que inevitável, dos filhos. Especialistas afirmam que a síndrome do ninho vazio é algo pontual, que tem hora certa para acabar e a sua duração se estende do momento da separação até a inclusão de uma nova ordem familiar.
A aposentada, Maria Eunice dos Santos, casada há 60 anos com Otávio dos Santos, lembra com saudades da vida que vivia com os seus cinco filhos em casa. "Sofri bastante quando eles tomaram seus próprios rumos, mas fiquei, ao mesmo tempo, feliz por cada um conquistar sua independência", explica a mãe.
A diferença de idade entre o filho mais novo e o mais velho é de 28 anos. "Tive meu primeiro filho com 18 anos. Hoje somente um filho mora comigo em casa. Ele foi casado e tem três filhos. O meu maior sofrimento é porque tenho uma filha que foi morar nos EUA há 14 anos", lamenta dona Eunice, que acrescenta que todos os anos recebe a visita da filha.
Logo que os filhos começaram a sair de casa, ela procurou ocupar a mente o máximo de tempo possível. "Na época, além dos afazeres da casa, eu costurava, recebia encomenda de bolos, docinhos e fui vendedora. Parei de trabalhar somente com 61 anos, quando me aposentei", revela a aposentada, que disse também que atualmente participa de grupos, como o da maioridade, o de oração e o da hidroginástica.
Segundo a psiquiatra especialista no cuidado com o idoso, Euglena Lessa, a síndrome do ninho vazio acomete principalmente
pessoas que se vinculam muito aos filhos e criam uma rotina voltada para atender as necessidades deles. "Quase como uma troca, a mãe faz tudo para e pelo filho, enquanto o mesmo retribui com companheirismo", explica.
De acordo com a psiquiatra essa síndrome costuma acontecer com mulheres, porque elas estão mais tempo em casa e, por isso, têm um vínculo mais estreito com os filhos. "As mulheres são três vezes mais propensas à depressão. Assim, um sentimento como a saudade pode desencadear sofrimentos mais intensos", relata a psiquiatra.
Se esse sentimento de tristeza prolongar é sinal que a situação está sendo transformada em depressão. Há ainda um agravante para as mulheres já maduras: a menopausa. "O período do climatério, culminando com a menopausa, afeta a mulher. Ela sente-se envelhecida, sua função reprodutora não existe mais, sua auto-estima abaixa, a imagem que vê no espelho não lhe agrada e sente-se muito fragilizada emocionalmente", lembra Euglena Lessa.
A psiquiatra explica que as pessoas dramáticas sofrem mais, já que não se preparam para uma separação, mesmo que ela seja programada. "Todos sentem, mas quanto melhor tiver sido a elaboração da separação, melhor as pessoas envolvidas vão lidar com a dor", explica e acrescenta que fatores como o número de filhos e a personalidade da mulher podem agilizar ou retardar o processo, mas geralmente tudo não passa de uma crise existencial passageira.
Para tornar o processo mais fácil a psiquiatra recomenda que o casal procure se relacionar com pessoas diferentes (novos amigos), converse com pessoas que já passaram pela mesma problemática e procure ocupar bem o tempo. "Faça matrícula em cursos de informática, idiomas ou técnicos, procure entrar em uma academia, que será benéfica também para a saúde, programe um passeio pelo cinema, teatro e/ou shows, enfim, tente se divertir mesmo com a ausência do filho", finaliza.
#Fonte: Tribuna do Norte
A aposentada, Maria Eunice dos Santos, casada há 60 anos com Otávio dos Santos, lembra com saudades da vida que vivia com os seus cinco filhos em casa. "Sofri bastante quando eles tomaram seus próprios rumos, mas fiquei, ao mesmo tempo, feliz por cada um conquistar sua independência", explica a mãe.
A diferença de idade entre o filho mais novo e o mais velho é de 28 anos. "Tive meu primeiro filho com 18 anos. Hoje somente um filho mora comigo em casa. Ele foi casado e tem três filhos. O meu maior sofrimento é porque tenho uma filha que foi morar nos EUA há 14 anos", lamenta dona Eunice, que acrescenta que todos os anos recebe a visita da filha.
Logo que os filhos começaram a sair de casa, ela procurou ocupar a mente o máximo de tempo possível. "Na época, além dos afazeres da casa, eu costurava, recebia encomenda de bolos, docinhos e fui vendedora. Parei de trabalhar somente com 61 anos, quando me aposentei", revela a aposentada, que disse também que atualmente participa de grupos, como o da maioridade, o de oração e o da hidroginástica.
Segundo a psiquiatra especialista no cuidado com o idoso, Euglena Lessa, a síndrome do ninho vazio acomete principalmente
De acordo com a psiquiatra essa síndrome costuma acontecer com mulheres, porque elas estão mais tempo em casa e, por isso, têm um vínculo mais estreito com os filhos. "As mulheres são três vezes mais propensas à depressão. Assim, um sentimento como a saudade pode desencadear sofrimentos mais intensos", relata a psiquiatra.
Se esse sentimento de tristeza prolongar é sinal que a situação está sendo transformada em depressão. Há ainda um agravante para as mulheres já maduras: a menopausa. "O período do climatério, culminando com a menopausa, afeta a mulher. Ela sente-se envelhecida, sua função reprodutora não existe mais, sua auto-estima abaixa, a imagem que vê no espelho não lhe agrada e sente-se muito fragilizada emocionalmente", lembra Euglena Lessa.
A psiquiatra explica que as pessoas dramáticas sofrem mais, já que não se preparam para uma separação, mesmo que ela seja programada. "Todos sentem, mas quanto melhor tiver sido a elaboração da separação, melhor as pessoas envolvidas vão lidar com a dor", explica e acrescenta que fatores como o número de filhos e a personalidade da mulher podem agilizar ou retardar o processo, mas geralmente tudo não passa de uma crise existencial passageira.
Para tornar o processo mais fácil a psiquiatra recomenda que o casal procure se relacionar com pessoas diferentes (novos amigos), converse com pessoas que já passaram pela mesma problemática e procure ocupar bem o tempo. "Faça matrícula em cursos de informática, idiomas ou técnicos, procure entrar em uma academia, que será benéfica também para a saúde, programe um passeio pelo cinema, teatro e/ou shows, enfim, tente se divertir mesmo com a ausência do filho", finaliza.
#Fonte: Tribuna do Norte
Os pais e a síndrome do ninho vazio
Reviewed by CanguaretamaDeFato
on
20.11.11
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