ELEIÇÕES: "O Repertório de Demagogia de Aécio é Vasto", Diz Jornalista

Aécio tem um atributo clássico em políticos tradicionais, ou em demagogos, caso você prefira uma palavra mais exata: a capacidade de simular indignação e, assim, comover as pessoas mais crédulas e inocentes.
Sobre ontem à noite Vê-lo em ação me lembra, sempre, uma passagem de Orestes Quércia num Roda Viva. Quércia fingiu indignar-se com uma pergunta e chegou a se levantar da cadeira para tentar agredir fisicamente, aspas, o autor dela.


Mas estava claro, a quem não era tão ingênuo assim, que Quércia estava tão calmo naquele momento como se estivesse tomando uma cerveja com amigos num domingo de sol.


No debate da Band, Aécio recorreu à indignação calculada quando Dilma mencionou o nepotismo que o marca como administrador.

O nepotismo é a maior negação da meritocracia, uma palavra que Aécio usa com obsessão nesta campanha como alternativa ao “aparelhamento” petista.


A maior expressão do nepotismo de Aécio – longe de ser a única – é sua irmã, Andrea Neves. Como é amplamente sabido, Andrea trabalha com Aécio e é uma das pessoas que mais o influenciam.

O marido de Andrea, Luiz Marcio, é quem cuida da agenda de Aécio na campanha.


Citada Andrea, o talento de Aécio para simular indignação jorrou no debate da Band.

Ele chamou Dilma de “leviana” e disse que ela tinha a obrigação de dizer o que Andrea fazia.


É uma pena que o debate seja tão engessado, e que Dilma não tenha demonstrando presença de espírito para continuar no assunto para expor a falácia de Aécio sobre a irmã.


A mesma falsa indignação apareceu quando veio à tona o aeroporto que Aécio mandou construir, com dinheiro público, numa fazenda da família.


Aécio reagiu no mesmo tom com que respondeu a Luciana Genro quando esta o enquadrou num debate no primeiro turno.

Há aí um traço peculiar de Aécio. Com Dilma e Luciana, ele foi extremamente incisivo ao defender o indefensável, o aeroporto privado pago com dinheiro público.


Com Bonner, quando o tema foi levantado na sabatina do Jornal Nacional, o tom foi bem diferente, nada áspero. Bonner não foi chamado de “leviano”, ou coisa do gênero.

Outra característica que torna complicado debater com Aécio é a sem cerimônia com que ele aponta nos outros defeitos que ele próprio tem em alta dose.


Várias vezes, no debate, ele acusou Dilma de “falta de generosidade”, e de não reconhecer erros.

Alguma vez Aécio reconheceu qualquer erro? Ele mostrou algum traço de generosidade nos debates?


No extremo oposto disso, ele repetidas vezes tentou ontem usurpar os méritos do Bolsa Família.

A paternidade do Bolsa Família, repetiu Aécio, seria não de Lula, mas de FHC. Ora, durante muito tempo o programa foi desprezado, por Aécio e tucanos, como Bolsa Esmola.

Agora o pai é FHC?
O repertório demagógico de Aécio é vasto.
#Fonte: IG (Paulo Nogueira)
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