O comportamento da mídia nativa é o sintoma mais preciso
da decadência do Brasil
Vivemos tempos de
incompetência desbordante, de irresponsabilidade, de irracionalidade.
De decadência moral, de descalabro crescente. Falei em 1954: foi também o
ano do suicídio de Getúlio Vargas,
alvejado pelo ataque reacionário urdido contra quem dava os primeiros
passos de uma industrialização capaz de gerar proletariado, ou seja,
cidadãos conscientes de sua força, finalmente egressos da senzala.
Não cabe, porém, comparar Carlos Lacerda com
os golpistas atuais, alojados na mídia, grilos falantes dos barões, a
serviço do ódio de classe. Lacerda foi mestre na categoria vilão,
excelente de fala e de escrita.
Os atuais tribunos de uma pretensa,
grotesca aristocracia, são pobres-diabos a naufragar na mediocridade.
Muitos deles, como Lacerda, começaram na vida adulta a se dizerem de
esquerda, tal a única semelhança. Do meu lado, sempre temi quem parte da
esquerda para acabar à direita.
Os sintomas do desvario reinante
multiplicam-se, dia a dia. Alguns me chamam atenção. Leio, debaixo de
títulos retumbantes de primeira página, que o ex-ministro Gilberto
Carvalho admitiu ter recebido certo lobista.
Veicula-se a notícia como revelação
estarrecedora, e só nas pregas do texto informa-se que Carvalho convidou
o visitante a procurar outra freguesia. De todo modo, vale perguntar:
quantos lobistas passam por gabinetes ministeriais ao praticar
simplesmente seu mister? Mesmo porque, como diria aquela personagem de
Chico Anysio, advogado advoga, médico medica, lobista faz lobby.
Outro indício, ainda mais grave, está na desesperada, obsessiva busca de envolver Lula em alguma mazela,
qualquer uma serve. Tanto esforço é fenômeno único na história
contemporânea de países civilizados e democráticos. Não é difícil
entender que a casa-grande está apavorada com a possibilidade do retorno de Lula à Presidência em 2018, mesmo o mundo mineral percebe.
Mas até onde vai a prepotência insana, ao desenrolar o
enredo de um apartamento triplex à beira-mar que Lula não comprou? A
quem interessa a história de um imóvel anônimo? Que tal falarmos dos
iates, dos jatinhos, das fazendas, dos Rolls-Royce que o ex-presidente
não possui?
Este não é jornalismo. Falta o respeito à verdade factual e
tudo é servido sob forma de acusação em falas e textos elaborados com
transparente má-fé. Na forma e no conteúdo, a mídia nativa age como partido político.
#Fonte: Carta Capital
Isto Não é Jornalismo!!
Reviewed by CanguaretamaDeFato
on
1.2.16
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