Em 4 anos, recursos federais para saúde crescem 120%

Os dados consideram os valores arrecadados na assistência hospitalar e ambulatorial| Foto: Arquivo TN


Os recursos federais destinados à média e alta complexidade (MAC) no Rio Grande do Norte cresceram 120% nos últimos quatro anos, segundo dados levantados pela Secretaria de Saúde Pública do Estado (Sesap/RN) à reportagem da TRIBUNA DO NORTE. Em 2022, o montante assegurado para a rede estadual foi de R$ 425,31 milhões, enquanto em 2025 esse valor subiu para R$ 938,09 milhões. Nesse período, o valor efetivamente gasto pelo estado chega a R$ 2,4 bilhões. Apesar do crescimento, representantes da saúde apontam que a alta não se reflete na resolução de gargalos estruturais na rede estadual.



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Os dados consideram os valores arrecadados na assistência hospitalar e ambulatorial, além dos superávits financeiros incorporados ao orçamento. Segundo a Sesap/RN, apenas neste ano foram assegurados R$ 901,7 milhões de recursos federais para o custeio da média e alta complexidade. Desse total, já foram empenhados, ou seja, reservados para garantir uma compra ou serviço, R$ 845,2 milhões. Já o valor efetivamente pago até o momento corresponde a R$ 504,3 milhões.


A presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado (Cremern), Giana da Escóssia Melo, reconhece a importância do aumento nos recursos, mas aponta que ainda existem problemas a serem superados na rede estadual de saúde. É o caso do déficit de profissionais, falhas na infraestrutura, insuficiência de leitos, dificuldades no acesso a exames e procedimentos, além de uma demanda reprimida por cirurgias e outros atendimentos especializados.
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“O aumento do Teto MAC representa uma oportunidade para ampliar e qualificar a assistência, mas é preciso garantir que os recursos sejam efetivamente transformados em capacidade instalada, contratação e valorização de profissionais, aquisição de insumos, manutenção de equipamentos e ampliação dos serviços. O que precisamos avaliar não é apenas quanto recurso entrou, mas qual foi o impacto desse recurso na vida do paciente”, destaca a presidente do Cremern.


Uma perspectiva semelhante é repercutida pela diretora do Sindsaúde/RN, Ana Carla Galvão, que aponta que o sentimento dos trabalhadores da saúde é de que os recursos não estão sendo aplicados da maneira correta. Além do déficit de pessoal para áreas assistenciais, ela observa que problemas como a falta de insumos e a precarização do serviço público continuam sendo um desafio.


Na avaliação da diretora, os problemas são fruto da combinação entre falta de gestão e terceirização do SUS. “Muitas vezes o valor que é pago a um terceirizado ultrapassa os limites que deveriam ser prudenciais. A empresa ganha com isso, mas muitas vezes deixa de repassar para os profissionais que acabam sendo prejudicados, assim como os servidores. O importante é que tenha concurso público e a chamada de pessoal, pois estamos com déficit nas unidades de saúde”, ressalta

Para o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Simed/RN), Geraldo Ferreira, a dificuldade do Governo em transformar os recursos em maior assistência não acontece por falta de hospital. Isso porque, embora as unidades estaduais enfrentem superlotação, o estado apresenta uma rede complementar privada e filantrópica capaz de suprir essa necessidade.
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“No entanto, o Governo enfrenta problemas tanto de contratualização quanto de pagamento a essa rede, de forma que não consegue transformar os recursos que estão chegando em procedimentos. Então a entrada de pacientes nas filas [para cirurgias] fica sempre maior do que a saída, e o recurso precisa se transformar em uma produção que seja superior à quantidade de pacientes que entram na fila, o que não vem acontecendo”, completa.


Giana da Escóssia Melo atribui o problema das filas por cirurgias eletivas a um conjunto de fatores, incluindo desde a insuficiência de estrutura hospitalar e ambulatorial até o déficit de profissionais em determinadas especialidades. Ela lembra, ainda, que falhas na atenção básica e na média complexidade podem pressionar os hospitais de referência.



“É preciso enfrentar o problema de forma sistêmica. Não adianta simplesmente aumentar o número de cirurgias em determinados períodos se não houver uma estrutura permanente capaz de garantir diagnóstico, tratamento, acompanhamento e continuidade do cuidado”, completa a presidente do Cremern.


Já Geraldo Ferreira avalia que entre os principais desafios da saúde estadual estão os débitos do Governo junto à rede privada e aos profissionais terceirizados, que comprometem a assistência e deixam lacunas no atendimento aos pacientes. “Uma hora tem consulta, por exemplo, mas não tem a biópsia. Depois não tem o exame pré-operatório e sequer o exame cardiológico”, ressalta.
Em 4 anos, recursos federais para saúde crescem 120% Em 4 anos, recursos federais para saúde crescem 120% Reviewed by CanguaretamaDeFato on 7.10.26 Rating: 5

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