Entre um bloco e outro, é fundamental não esquecer os cuidados com a pele para evitar contratempos. O atrito da pele e as fantasias apertadas também merecem atenção | Foto: Alex RégisO carnaval é uma época do ano em que expor o corpo faz parte da festa. Em meio a fantasias, roupas curtas, máscaras e maquiagem, a pele também pode sofrer as consequências de uma folia sem proteção. Entre um bloco e outro, é fundamental não esquecer os cuidados com a saúde da pele para evitar contratempos comuns nessa época, como assaduras provocadas pelo atrito, manchas e queimaduras causadas pela exposição solar, além da desidratação corporal. Manter o brilho da folia é possível com atenção e prevenção.
A combinação de suor excessivo, roupas mais curtas e fricção constante da pele favorece o surgimento de irritações. A dermatologista Bárbara Carriço, presidente local da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD-RN), afirma que a exposição prolongada ao sol, típica dos blocos de rua, pode causar danos imediatos: vermelhidão intensa, ardor, dor, inchaço, bolhas, mal-estar e descamação são sinais de alerta.
“Quanto mais repetida e intensa a exposição, maior o impacto para a pele”, diz a dermatologista. Ela ressalta que após o carnaval é muito comum as pessoas irem aos consultórios relatarem casos de queimaduras solares, irritações e alergias causadas por maquiagem, glitter e tintas corporais, além de assaduras, acne piorada pelo suor, foliculite e infecções de pele. “Também vemos bastante a piora de doenças que já existiam, como melasma, rosácea e herpes labial”, completa.
Bastante usadas por muitos foliões na época, as tintas corporais, maquiagens artísticas e glitter podem causar alergias e irritações, principalmente quando não são produtos próprios para a pele. Segundo a médica, o ideal é testar antes em uma pequena área e, após o uso, observar sinais como coceira, ardor, inchaço ou vermelhidão persistente. “A remoção deve ser suave, seguida de hidratação”, diz.
Ainda sobre a questão das substâncias que as pessoas usam no carnaval para se fantasiar ou ficar coloridas, Bárbara explica que existe uma diferença grande entre produtos dermatologicamente testados e materiais improvisados, como cola, spray ou maquiagens não apropriadas. Esses produtos aumentam muito o risco de alergias graves, queimaduras químicas, manchas e infecções.
Um produto que a pele pede mais do que nunca no carnaval é o protetor solar, já que muitas festas acontecem durante a manhã e a tarde. “O protetor solar é indispensável no carnaval. O ideal é FPS 30 ou 50, aplicado em boa quantidade antes de sair de casa e reaplicado a cada duas horas. Se a pessoa suar muito, entrar na água ou se secar com toalha, precisa reaplicar antes”, ensina. Ela ressalta que não se pode esquecer orelhas, couro cabeludo exposto, lábios e mãos.
Os cuidados com a pele devem começar antes da festa. A hidratação é um passo importante, tanto por meio de cremes e loções quanto pela ingestão adequada de água ao longo do dia. Outra dica importante é o uso de talco líquido ou produtos antiatrito nas regiões mais sensíveis, além da reaplicação frequente do protetor solar nas áreas expostas.
Atritos
O atrito da pele com roupas curtas, fantasias apertadas ou acessórios também é algo para se prestar atenção. Segundo a dermatologista, esse atrito pode causar assaduras e inflamações, principalmente em regiões de dobras. Para quem não quer abrir mão do look de carnaval, ela sugere o uso de roupas mais leves, evitar peças muito justas, aplicar produtos de barreira e a troca de roupas molhadas.
A umidade causada pelo suor, especialmente em regiões como coxas, axilas e virilha, associada ao atrito repetido, pode comprometer a barreira da pele e resultar em assaduras bastante desconfortáveis. Essas áreas, quando expostas ao sol sem proteção adequada, ficam mais suscetíveis a manchas, escurecimento e queimaduras solares.
O excesso de álcool, algo bem comum durante as festividades de Momo, também pode interferir na saúde da pele. Bárbara Carriço explica ser algo que provoca desidratação, aumenta a vermelhidão, piora acne e rosácea, prejudica o sono e atrapalha a recuperação natural da pele — “o que fica mais evidente nos dias seguintes à folia”, ressalta a dermatologista.
A própria dinâmica frenética da folia cria situações que podem prejudicar o folião. “Dormir pouco, suar muito e não higienizar a pele corretamente favorece infecções, como micoses, candidíase em dobras, foliculite e infecções bacterianas superficiais”, alerta. Após dias intensos de folia, os cuidados básicos são: higiene suave, hidratação, uso de produtos calmantes, proteção solar e evitar procedimentos ou produtos irritantes por alguns dias.
A rotina de cuidados pós-carnaval inclui a atenção na retirada de produtos aplicados na pele, principalmente maquiagem. Recomenda-se o uso de demaquilantes bifásicos, que facilitam a retirada de produtos mais resistentes, seguido da limpeza com sabonete ou gel específico para o rosto. É um cuidado que ajuda a remover resíduos e impurezas, conservando a saúde da pele.
Infecções
A combinação de verão e carnaval costuma redobrar a atenção, em especial, à saúde da mulher. A ginecologista Maria da Guia de Medeiros Garcia alerta sobre o fato de que elas ficam mais vulneráveis a infecções urinárias e vaginais nesse período. “O uso de roupas sintéticas, a permanência com roupas de banho molhadas por longos períodos e a falta de hidratação adequada levam à ausência de circulação de ar na região perineal e ao surgimento de infecções”, diz.
Para se precaver, a médica indica a realização de higiene íntima, hidratação, alimentação adequada e cuidados na relação sexual. “São estratégias importantes para evitar essa patologia. A falta de hidratação adequada leva ao surgimento de urina concentrada e pouca produção urinária, favorecendo as infecções”, ressalta.
Maria da Guia explica que as infecções urinárias, em geral, causam dor ao urinar, calafrios, febre, dor no baixo ventre e, às vezes, urina com sangue. Já as infecções vaginais levam a prurido vulvovaginal, ardor, vermelhidão na vulva e presença de secreção grumosa, que sugere leite talhado.
Ela lembra que doenças que baixam a imunidade, uso de antibióticos, anticoncepcionais e o estresse também são fatores importantes na gênese das infecções vaginais. As infecções vaginais, especialmente causadas por fungos, lideram o diagnóstico das vulvovaginites no verão. “Com cuidados básicos e simples, podemos curtir um verão sem infecções”, conclui.
#Fonte: Tribuna do Norte
Carnaval com saúde: como evitar problemas de pele durante a folia
Reviewed by CanguaretamaDeFato
on
25.1.26
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